Véu do entardecer (prosa poética)



A tarde, sem cerimônia, não hesita em estender seu véu de película cinza sobre a terra. Impossível definir a beleza e magia desse momento. Sombras se projetam anunciando que mais um dia está declinando... O pôr do sol vai desenhando imagens raras e imagináveis entre as  nuvens. Há misturas de cores indescritíveis. O vento sul vem trazendo o cheiro da primavera passada, em um buquê das minhas rosas preferidas. Entre essas descubro um pequeno ramalhete de jasmim, o qual aquece o entardecer de verão do meu coração. Nas calçadas há crianças brincando, adultos conversando, e botões de damas-da-noite eclodindo nos canteiros da praça. Nos barracos dos pescadores há fartura na mesa, família reunida em volta, sinal de barriga cheia. Fecho os olhos por alguns instantes e... ao abri-los, vejo que a lua cheia, radiante e vermelha surgiu do mar. Há cheiro da noite misturado ao cheiro da maresia. Um casal de mãos dadas caminha vagarosamente. Entre um e outro olhar... os suspiros sinalizam que a sensação é igual a do paraíso. Retornei para casa confiante de que amanhã o mesmo espetáculo imperdível se repetirá outra vez! Deixei que o vento (sul) levasse as canções que, enquanto apreciava o ocaso, escrevi para te falar de um lindo sonho de amor, o qual, diferente das rosas e jasmins, não floresceu.
*******************************************
isisdumontprosaeverso.net
Foto: Arquivo pessoal... belíssimo pôr do sol, no "Pontal da Barra", Maceió/AL.




Comentários

Postar um comentário