terça-feira, 19 de setembro de 2017

Rezemos ou Oremos por "Eles"




Resultado de imagem para cultura de morte

Em um Mundo tão conturbado,
onde a Intolerância é vista por todos os lados;
onde pessoas matam outras, por 'futilidades'.

Um Mundo onde muitos não entendem seus semelhantes,
não respeitam os que pensam ou agem diferente 'deles'.
Vivemos, ou melhor sobrevivemos, cautelosos
se quisermos tentar prolongar nossos dias mais um pouco,
nesta Sociedade onde a vida foi banalizada.
E a "cultura da Morte" é promovida e 'compartilhada'!

Invadir residências e outros espaços,
assaltar, roubar, praticar outras Violências
tornou-se prática comum para muitos malfeitores.
Os mesmos não temem à Justiça, não temem à Legislação,
porque sabem, conhecem suas benevolências.

A grande maioria dos crimes caem no rol do esquecimento!
Mas é preciso que reajam...
Precisamos de pessoas que se imponham.
Pessoas que defendem, promovem e compartilham
a 'cultura da Vida'!
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Aparecida Ramos

(ISSO "SOA" COMO PIADA DE 'MAU GOSTO') A busca por 'cura gay' que incluiu 4 terapeutas, acampamento de conversão, Viagra forçado e pensamentos suicidas

Mathew Shurka
Image captionMathew Shurka chegou a ser orientado a não conversar com mulheres para não se tornar "efeminado" | Foto: Arquivo pessoal
Mathew Shurka tinha 16 anos quando decidiu contar para o pai que era gay. Apavorado, tinha certeza que "o homem que mais admirava" o aceitaria.
"Eu amo você e vou ajudá-lo", respondeu seu pai. A "ajuda" veio em forma de terapias que prometiam "curá-lo" da homossexualidade. Em cinco anos, a partir de 2004, o americano passou por quatro terapeutas, um acampamento de "conversão", foi obrigado a tomar Viagra para se relacionar com mulheres, ficou depressivo e pensou em se suicidar.
"Meu pai não é religioso. Ele só pensava: 'Meu filho não vai sobreviver neste mundo como um homem gay'", conta.
Na última segunda-feira, o juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu uma liminar que autoriza psicólogos do Brasil a oferecerem a seus pacientes formas de terapia de reversão sexual. Esse tipo de procedimento era vedado no país pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999.
A decisão do juiz, que causou polêmica, foi motivada por um ação de uma psicóloga que queria oferecer serviços de "cura gay" e pode ser mudada nas instâncias superiores. Há quase 30 anos, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. Nos EUA, nove Estados e o Distrito Federal têm leis proibindo a "cura gay" - no restante do país, tais tratamentos são legais.
Criado em uma pequena cidade conservadora perto de Nova York, membro de uma família com tradição judaica, Shurka nunca havia conhecido uma pessoa abertamente gay ou casais gays.
"Meu pai me dizia que eu ia sofrer muito, e eu tinha medo desse sofrimento - já havia apanhado na escola e sofria pressão para me relacionar com meninas. Quando um homem que eu amava e confiava me disse que havia uma solução para isso, eu acreditei", afirma.
Todos os terapeutas encontrados pela família nos cinco anos de tratamento eram profissionais graduados e registrados. "Isso dava mais credibilidade ao tratamento. Para o meu pai, era a oportunidade de dar a mim a vida que ele imaginou."
O primeiro terapeuta lhe disse que sua orientação sexual era fruto de um trauma de infância. "Mas eu tive uma infância maravilhosa. Não conseguia pensar em trauma algum. Acabei criando coisas que não haviam existido. Fiquei bravo com minha mãe por não ter me criado másculo o suficiente."

Viagra

Como parte da terapia, o jovem foi orientado a não falar com mulheres - para não se tornar efeminado - e a conviver mais com homens, de modo a torná-lo mais "macho". Por causa do tratamento, ficou três anos sem falar com a mãe e as irmãs. "Eu virava a cara, literalmente", conta.
Sua mãe passou a ser contrária à terapia de "conversão". "Ela chegava a me dizer: 'Filho, você é gay, não tem problema. Eu te amo'. E eu tinha muito medo e achava que, como ela era a culpada por minha homossexualidade, sua aceitação só piorava as coisas."
Mathew Shurka aos 18 anos
Image captionMathew Shurka aos 18 anos - na época, já estava no segundo ano da terapia | Foto: Arquivo pessoal
Sem que o primeiro tratamento fizesse muito efeito, Shurka e seu pai procuraram outro profissional, em Los Angeles, do outro lado do país. Viajaram para a cidade só para conhecê-lo - o tratamento continuou por telefone. "No começo uma vez por semana, mas depois quase todos os dias."
"No começo, sentia que a terapia estava funcionando. Fiz muitos amigos homens e estava pronto para me relacionar com mulheres. Tinha inventado minha heterossexualidade", conta ele. Mas, por baixo disso, ainda sentia atração por homens. Passou a se sair mal na escola, ter crises de ansiedade e ir ao hospital com frequência achando que estava sofrendo um infarto.
Admitiu então para seu terapeuta que não estava conseguindo transar com mulheres.
"Meu terapeuta ligou para o meu pai e, juntos, decidiram que eu deveria tomar Viagra. Eu tinha 18 anos, era um rapaz saudável, e passei a tomar Viagra quando saía com mulheres."

Intervenção

Aos 19, Shurka se apaixonou por um homem e tentou namorá-lo. Seu terapeuta interferiu outra vez: ele e seu pai abordaram o rapaz e o mandaram embora.
"Ao telefone, chorava com meu terapeuta, me perguntando porque era gay e porque ele (o namorado) havia me deixado. Meu terapeuta fingia não saber por quê."
Oito meses depois, seu ex-namorado lhe contou o que o pai e o terapeuta tinham feito. Foi a motivação necessária para romper o relacionamento com o pai e abandonar o tratamento com o profissional, de quem já era dependente - "eu amava, acreditava e confiava nele".
Shurka voltou a falar com a mãe, que lhe convenceu a fazer uma terapia normal. "Era bem melhor, mas não importava o quão bom era, eu sentia que não estava tentando o suficiente. Eu estava convencido de que ser gay era uma escolha e que era minha culpa."
Sozinho, entrou e saiu de mais dois tratamentos na linha da "cura gay".
"Aos 20, sem conseguir terminar a faculdade, confuso, entrei em uma depressão profunda, engordei 30 kg. Ficava dias sem sair do meu apartamento, não gostava de nada do que eu era. Me cortava, pensando em me suicidar."
O jovem chegou a passar um fim de semana em um acampamento de "cura gay", onde cerca de 60 homens eram obrigados a reencenar casos de abuso sexual que supostamente os teriam levado à homossexualidade.
Mathew Shurka e seu pai
Image captionO pai de Mathew Shurka contratou terapeutas para tentar "curar" a homossexualidade do filho | Foto: Arquivo pessoal
Aos 21, Shurka se mudou para Manhattan, em Nova York, onde trabalhou como garçom em um restaurante gerenciado por uma lésbica. "Ela era uma mulher forte, que me inspirou muito." Também passou a ver muitos homens gays bem-sucedidos que frequentavam o restaurante.
"Basicamente, estava vendo pela primeira vez como tudo aquilo era normal", diz. Voltou a frequentar terapias, mas, dessa vez, regulares, embora fosse muito difícil confiar nos profissionais outra vez.

Aceitação

Dois anos depois, em 2012, Shurka saiu do armário, ainda muito inseguro e temeroso com a reação das pessoas. Naquele ano, frequentou um curso para desenvolvimento pessoal. Voltou convicto de que teria de fazer as pazes com o pai e com o terapeuta.
"Depois de cinco anos sem falar com ele e de tê-lo processado durante o divórcio dos meus pais, fui falar com ele. Quando eu disse de novo que era gay e que estava feliz com isso, ele repetiu o discurso de que eu ia ser infeliz, me machucar. Não acreditei", afirma.
"Mas respondi: 'Pai, não tem com o que se preocupar. Vai ficar tudo bem. Vou viver uma vida maravilhosa'. E ele aceitou."
Hoje, conta, seu pai é um dos seus melhores amigos. Pediu desculpas por tê-lo levado a terapias de "cura gay" e até foi para a parada gay com o filho neste ano.
Shurka também se encontrou-se com o terapeuta que lhe prometera "curar" e que ministrou Viagra e interferiu em seu relacionamento quando tinha 19 anos. "Ele chorou e admitiu ter 'tratado' outros 13 meninos. Disse que não os havia 'curado'."
O terapeuta, afirma, se arrepende e diz não acreditar mais em "cura gay".
Falando à BBC Brasil de seu escritório em Nova York, Mathew Shurka, hoje com 28 anos, tornou-se um ativista contra a terapia de "reversão sexual" nos Estados Unidos e no mundo à frente da campanha "Born Perfect" ("nascido perfeito", em tradução literal).
Segundo ele, a maior parte das pessoas que acaba em tratamentos do tipo são adolescentes, filhos de pais assustados que veem no terapia uma solução. E o tratamento, afirma, multiplica as chances de suicídio entre a população gay.
"Mesmo depois de sair do armário, as pessoas que passam pelo tratamento da 'cura gay' foram tão abusadas psicologicamente e têm tantos traumas que ainda têm dificuldade de se aceitar", diz.
Ele mesmo sofre de ansiedade e ainda está se curando dos anos nas terapias pelas quais passou. "Mas estou rodeado de pessoas que me amam e me apoiam."

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EUA estão preparados para 'destruir totalmente' a Coreia do Norte, diz Trump na ONU

Donald TrumpDireito de imagemREUTERS
Image captionPresidente americano causou surpresa na Assembleia geral da ONU com tom agressivo contra países presentes
Diante das Nações Unidas, o presidente americano Donald Trump disse que os Estados Unidos estão prontos para "destruir totalmente" a Coreia do Norte caso seja "forçado" a defender a si e a seus aliados.
"Estamos prontos, dispostos e aptos (a atacar a Coreia do Norte), mas esperamos que não seja necessário. Vamos ver como eles se saem", afirmou, antes de pedir que os países do mundo trabalhem para "isolar" o líder coreano.
Em seu primeiro discurso na 72ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Trump falou sobre a ameaça de "países erráticos" e mencionou também o Irã e a Síria.
O americano também fez piada com o líder norte-coreano Kim Jong-un, chamando-o de "rocket man" ("homem do foguete", em tradução livre) e dizendo que ele está em uma "missão suicida".
Nas últimas semanas, a Coreia do Norte tem feito testes de bombas e mísseis desafiando os Estados Unidos, as sanções da ONU e também os pedidos da China, seu principal aliado.
Trump afirmou que países de culturas e valores diferentes devem ser capazes de conviver como nações soberanas, mas também criticou duramente o Irã, que chamou de uma "ditadura corrupta que exporta violência, sangue e caos".
Ele pediu que Teerã deixe de "apoiar grupos terroristas" e disse que os EUA podem desistir do acordo feito com o Irã durante o governo Obama caso o país continue desenvolvendo um programa nuclear.
"Este foi o pior acordo em que os Estados Unidos já entraram. Francamente, é uma vergonha e vocês ainda vão ouvir falar muito disso", disse.
Kim Jong-un e militares norte-coreanosDireito de imagemREUTERS
Image captionKim Jong-un, acompanhado de militares na imagem divulgada pela agência estatal norte-coreana, a KCNA, foi chamado por Trump de "rocket man"

'Ideologia fracassada'

O presidente também reservou críticas ao governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, que disse ter "destruído uma nação por meio de uma ideologia fracassada que trouxe pobreza a todos os lugares onde foi implementada".
"O problema não é que o socialismo tenha sido implementado. É que ele tenha sido fielmente implementado", afirmou, arrancando aplausos de parte da plateia.
Trump pediu que a ONU "faça mais" para lidar com a crise política e econômica no país e afirmou que, além das sanções já impostas, os EUA "estão preparados para fazer mais".
A terceira "nação errática" mencionada pelo presidente foi a Síria e o "regime criminoso de Bashar al-Assad" - que ele acusou de usar armas químicas contra a população.
Ao falar dos conflitos no Oriente Médio e no norte da África, Trump disse que os EUA gastam milhões para "apoiar a volta dos refugiados para seus países de origem".
"Pelo custo de assentar um refugiado nos Estados Unidos, assentamos dez em suas nações ou em locais próximos. A migração descontrolada é ruim para os países que enviam e também para os que recebem", afirmou.

Autores de estudo citado na ONU desmentem Temer sobre queda no desmatamento da Amazônia

O presidente Michel Temer discursa em um púlpito com o logo das Nações Unidas
Image captionO presidente brasileiro abriu hoje a Assembleia Geral da ONU, em Nova York | Foto: Beto Barata/Presidência da República
"Trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos", afirmou o presidente Michel Temer, em seu discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira.
O problema é o que autores dos dados usados pelo presidente negam a informação.
O governo cita levantamento do instituto de pesquisa Imazon, que realiza levantamentos mensais sobre tendências de crescimento ou queda do desmatamento na Amazônia.
À BBC Brasil, um dos pesquisadores do instituto disse que a informação apresentada a líderes mundiais por Temer é "imprecisa" e "inadequada", e que políticas recentes do governo federal na realidade tenderiam a aumentar a destruição na Amazônia.
"Os dados que o Imazon mede mensalmente podem indicar uma tendência. Portanto, é possível que o desmatamento caia. Mas não podemos dizer 20% porque não temos a precisão que essa afirmação exige", diz o engenheiro florestal Paulo Barreto, pesquisador associado do Imazon.
"Estes não são dados oficiais. Os dados do governo ainda não foram divulgados e parece que o presidente está comparando dados oficiais do ano passado com os nossos, de agora, sendo que as metodologias são totalmente diferentes", afirmou.
Além disso, Barreto aponta que uma eventual redução não seria fruto de políticas públicas para a preservação do meio ambiente, como sugeriu o presidente.
Imagem aérea de um rio e uma área de floresta na amazônia
Image captionPara técnicos do Imazon, Temer errou ao comparar dados produzidos com metodologias diferentes | Foto: Ag. Pará/Divulgação
"O governo mandou projetos de lei para o Congresso para reduzir áreas de conservação. Nossos estudos mostram que as taxas dobram com reduções como esta", afirma o pesquisador.
"Vários fatores contribuem com o desmatamento, desde politicas públicas até a economia e o mercado. Há uma relação histórica entre o preço do gado e as taxas de desmatamento. O aumento de preço aumenta o desmatamento, e vice-versa. E a crise econômica vem gerando uma queda neste preço."
O desmentido também foi apontado por outros pesquisadores do Imazon consultados pela BBC Brasil. Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República confirmou que Temer se baseou em dados do Imazon, mas não comentou as críticas até a publicação desta reportagem.

Estratégia

Em seu discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, Temer destacou o "desenvolvimento sustentável" do país e ressaltou a "preocupação do governo com o desmatamento".
Ao citar a suposta "diminuição de mais de 20% no desmatamento da Amazônia", Temer afirmou que "nessa questão temos concentrado atenção e recursos".
"Na verdade, o governo está fazendo coisas que vão gerar aumento futuro no desmatamento", comentou o pesquisador do Imazon, usado como fonte por Temer na ONU.
A inclusão destes pontos no discurso na ONU, segundo fontes próximas ao presidente, seria uma estratégia para reverter a má impressão causada pela extinção da Reserva Nacional do Cobre e Derivados (Renca) e pelos cortes no financiamento de países como Dinamarca e Alemanha ao Fundo Amazônia, dedicado a financiar a preservação da floresta.
Em 2016, o desmatamento na região teve um aumento de 58%, o que levou países, personalidades e entidades internacionais a repreenderem publicamente o governo brasileiro.
Durante o pronunciamento a líderes de quase 200 países, Temer também reiterou o apoio brasileiro ao acordo de Paris, que visa reduzir as mudanças climáticas e o aquecimento global.

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As mães que se infiltraram em um grupo online de pedofilia para entregar os integrantes à polícia

Ilustração de cinco vultos escuros atrás de duas crianças, sendo uma menina com um balão (esq.) e um menino com um pirulito (dir,)
Quando mães da Indonésia se depararam com um grupo de pedofilia online, no começo deste ano, decidiram se infiltrar nele para desmascarar quem estava por trás. A repórter da BBC Christine Franciska conta a história:
Fotografar e postar momentos divertidos, doces e memoráveis dos filhos nas redes sociais é algo comum para muitos pais orgulhosos, seja na Indonésia e ou em qualquer lugar do mundo.
Risrona Simorangkir, por exemplo, tem postado fotos da sua filha, de sete anos, e do seu filho, que está começando a andar, desde que eles nasceram.
Mas em março deste ano Risrona se deparou com um grupo no Facebook que compartilhava fotos de abusos de crianças.
"Esse grupo tem milhares de membros, eles compartilham fotos e vídeos. Alguns deles disseram que são eles próprios que produzem o material - ao fotografar crianças da vizinhança ou mesmo parentes", diz.
Os membros desse grupo chamavam suas vítimas de "lolly" - diminutivo de "lollipop", pirulito, em inglês.
Risrona Simorangkir, 29 anos, da IndonésiaDireito de imagemRISRONA SIMORANGKIR
Image captionRisrona Simorangkir se infiltrou em um grupo de pedofilia no Facebook
Risrona, que tem 29 anos, alertou seus amigos imediatamente. Eles decidiram, então, descobrir mais sobre esse grupo do Facebook - cujo nome a BBC não divulga. A estratégia escolhida para isso foi se infiltrar.
"Nós temos uma comunidade online para mães. Falamos sobre maternidade, vida, qualquer assunto. Depois que eu postei (sobre o grupo pedófilo), algumas de nós tentaram entrar no grupo para coletar evidências. (Depois) nós discutimos as descobertas", conta ela.
Tela do Facebook com o debate de mães sobre um grupo que compartilhava pornografia infantil
Image captionMães debateram no Facebook sobre um grupo que compartilhava pornografia infantil | Foto: Reprodução/Facebook

Quatro horas

"Eu me juntei ao grupo (pedófilo) por apenas quatro horas. Eu não consegui suportar. O conteúdo era terrível. Eles não são humanos (por postar coisas desse tipo)", lembra Risrona.
"Eles falam sobre como se aproximar e seduzir uma criança para fazer sexo com ela, o que você pode fazer para garantir que essas crianças não vão contar nada para os pais delas, e como fazer sexo com crianças sem fazê-las sangrar", acrescenta.
"Uma pessoa contou uma história sobre como ele estava fazendo isso com seu sobrinho. Era apavorante."
Michelle Lestari, amiga de Risrona, diz que as mães começaram a capturar e salvar telas do grupo pedófilo, inclusive conversas, links para as páginas dos administradores e até telefones.
"Nós denunciamos para a polícia", conta Michelle.
Outros pais denunciaram o grupo para o Facebook, acrescenta ela. O gigante das redes sociais, então, o retirou do ar - um porta-voz disse à BBC que a empresa estava conduzindo investigações sobre os indivíduos suspeitos.
Em 14 de março, a polícia prendeu cinco pessoas. O caso foi abordado pela mídia local, e os esforços dos pais foram amplamente elogiados. "O poder das mães", definiu um usuário do Twitter.
Logo do facebookDireito de imagemAFP
Image captionFacebook tirou grupo do ar

Investigação conjunta com o FBI

O grupo que postava conteúdo de pedofilia tinha mais de 7 mil membros. Eles produziam e distribuíam pelo menos 400 vídeos e 100 fotos de abusos contra crianças, disse a polícia da Indonésia, após as prisões.
A polícia disse que estava trabalhando com o FBI (o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos), já que havia suspeitas de que alguns membros estivessem ligados a redes internacionais de pedofilia.
"Um dos suspeitos entrou em 11 grupos de WhatsApp, ligados a 11 países diferentes. Havia troca de material pornográfico entre diferentes países. A Indonésia mandava alguns (materiais) e alguém na América do Norte mandava outros", informa o porta-voz da polícia de Jakarta, Argo Yuwono, para a BBC.
O abuso sexual infantil online é uma ameaça real na Indonésia, mas a sociedade ainda é muito negligente com relação a esse tema, opina o chefe da Comissão de Proteção da Criança da Indonésia, Arist Merdeka Sirait.
"No contexto cultural da Indonésia, as pessoas ainda pensam que pedofilia ou abuso sexual são relacionados apenas à penetração. Elas precisam se dar conta de que agarrar o bumbum da criança também é considerado uma forma de abuso sexual, por exemplo", relata Sirait.
No ano passado, o parlamento do país aprovou leis controversas autorizando castração química e até execução de pedófilos condenados.
Sombras de mulheres atrás de um tecidoDireito de imagemAFP
Image captionAtivistas apontam problemas culturais em relação a abuso de crianças na Indonésia

Riscos

O que Risrona e outras mães fizeram é perigoso, pois elas expuseram suas verdadeiras identidades ao se infiltrar nos grupos, dizem ativistas.
"É o equivalente a uma patrulha feita por vizinhos, o que é legal, mas você precisa ter consciência do perigo", afirma o diretor-executivo da organização da sociedade civil indonesia ICT Watch Donny B.U.
E esse tipo de ação não vai necessariamente resolver o problema, diz ele.
"Esse caso particular é apenas a ponta do iceberg. As mães facilmente descobriram esse grupo (pedófilo) porque ele usava o Facebook, o que é muito amador. Há mais ameaças na deep web, encriptadas."
"O melhor é apenas denunciar para a polícia. O que você pode fazer é se envolver ativamente na alfabetização digital da sua comunidade, e tomar medidas preventivas ao estar informado sobre privacidade digital", explica.
Mas Risrona diz que não se arrepende do que fez.
Sua experiência de quatro horas no grupo pedófilo a deixou com mais medo das pessoas no entorno de sua família, mas também abriu seus olhos "para ser mais cuidadosa e ensinar minhas crianças sobre suas partes íntimas".
"Ainda tenho esse sentimento de desgosto quando me lembro do tipo de coisa que eles postavam."
Ela conta que mudou as suas configurações de privacidade no Facebook. Mas, antes de tudo isso acontecer, "talvez tenha postado milhares de fotos das minhas crianças".

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Eles estão caçando gays