quarta-feira, 11 de julho de 2018

Lançamento de: "Palavras da Alma"-Crônicas e Poemas



Lançamento de:
"Palavras da Alma"-Crônicas e Poemas
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Caríssimos, foi no Recanto das Letras onde tudo começou! Por isso meus queridos, compartilhar mais este momento com vocês é motivo de grande alegria, de felicidade; algo inexplicável!
Estou muito feliz e agradecida por mais este sonho realizado!

Ao meu Deus, à vida, às pessoas que estão comigo, as que estão nas proximidades, as que moram distante, aos que apenas me conhecem virtualmente e àquelas que passaram por mim deixando muito de si... São as que passaram, mas ficaram; enfim... todos tiveram importância fundamental para esta realização! E todas tem um lugarzinho especial e aconchegante em meu coração!!
Minha maior gratidão, meu amor e afetos mais sinceros.

Aparecida Ramos
Ah, pessoal...
Quem desejar adquirir meu Livro, basta mandar uma mensagem através de meu contato no RL ou no serviço de "Mensagem" (Inbox) no Facebook. 

Publicar é uma grande realização para quem escreve, mas não deixa de ser algo dispendioso, caro. Espero que muitos de vocês possam ter em suas mãos este meu trabalho feito com amor, emoção, sensibilidade, carinho, responsabilidade, compromisso e acima de tudo fé e inspiração.
Obrigada por tudo!!

www.isisdumont.prosaeverso.net
Entrevista (hoje) na Rádio FM.


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O condenado à morte nos EUA que pede para morrer logo

Scott DozierDireito de imagemDEPARTAMENTO DE EXECUÇÃO PENAL DE NEVADA
Image captionScott Dozier foi condenado à pena de morte por ter cometido dois homicídios
Ele já deveria estar morto.
"Já passou muito tempo, meritíssima. Estou pronto", foi a resposta de Scott Dozier quando a juíza Jennifer Togliatti anunciou a data em que seria executado na prisão estadual de Ely, em Nevada, nos Estados Unidos.
Dozier, que em 2002 foi condenado à morte por homicídio, manteve-se calmo e, em alguns momentos, até um pouco animado durante a audiência no final de julho de 2017, conforme relatado pela imprensa local.
Levou quase um ano para que as autoridades concordassem em cumprir seu desejo: acelerar a aplicação de sua sentença de morte.
Mas esses planos foram frustrados.
A execução, originalmente prevista para 16 de outubro de 2017, foi adiada para 14 de novembro e, em seguida, suspensa por tempo indeterminado.
Paradoxalmente, esses adiamentos não atenderam aos pedidos de Dozier que, em 2016, anunciou que não apresentaria mais recursos em seu caso - ele só o faria se eles estivessem relacionados a uma disputa legal e médica sobre o método de sua execução.
Nesta quarta, 11 de julho, Dozier terá uma nova chance de morrer.

Crime em Las Vegas

O cheiro ruim de uma mala encontrada em abril de 2002 em um depósito de lixo a vários quilômetros do centro de Las Vegas era o início do processo judicial contra Dozier.
Manifestantes protestam contra a pena de morte nos EUADireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDe 1.477 presos executados nos EUA desde os anos 70, 144 pediram para morrer logo, sem apresentar novos recursos
Dentro do pacote estava o corpo mutilado e sem cabeça de Jeremiah Miller, um homem de 22 anos.
Durante o julgamento, os advogados de Dozier apresentaram a vítima como um traficante de drogas que estava tentando entrar no negócio da metanfetamina.
Os investigadores concluíram que Dozier ofereceu-se para ajudar Miller a obter os ingredientes para preparar a droga, mas, em vez disso, o matou para roubar US$ 12.000.
A cabeça da vítima nunca foi encontrada, embora um informante tenha dito à polícia que Dozier poderia tê-la colocado em um balde de cimento.
Após sua prisão, também Dozier foi indiciado pela morte de Jasen Greene, um homem de 26 anos cujo corpo foi encontrado desmembrado e enterrado no deserto do Arizona. Por essa razão, ele foi enviado para Phoenix, onde foi julgado e sentenciado a 22 anos de prisão.
Embora houvesse vários testemunhos contra ele, Dozier sempre negou ter sido responsável por essa segunda morte.
Em seu relato, ele diz que atendeu ao pedido de um amigo e hospedou Greene no trailer que usava para preparar metanfetamina. Um dia, quando chegou ao veículo, diz, Greene estava morto. Ele conta que decidiu enterrá-lo para impedir que a polícia descobrisse seu laboratório clandestino.
"Gostei da ideia de viver fora da lei", disse Dozier em uma entrevista publicada em janeiro passado na revista Mother Jones.
"Eu não estou buscando clemência. (O Estado de) Nevada me disse 'pare de se comportar assim ou vamos matá-lo se continuar'", acrescentou.

Voluntário

Em 31 de outubro de 2016, Dozier escreveu uma carta à juíza Togliatti pedindo que sua sentença de morte fosse logo levada adiante.
Retrato de Scott DozierDireito de imagemDEPARTAMENTO DE EXECUÇÃO PENAL DE NEVADA
Image captionDozier foi condenado à pena de morte em 2002
A decisão faz de Dozier um "voluntário", como são chamados nos EUA os condenados à morte que renunciam a continuar lutando para preservar suas vidas.
Não há muitos deles. Desde que o país restabeleceu a pena de morte nos anos 1970, apenas 144 condenados se tornaram "voluntários".
No mesmo período, foram realizadas 1.477 execuções, segundo dados do Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPIC), organização não-governamental dedicada à pesquisa e à análise da pena de morte.
Mas o que o levou a pedir para morrer?
Meredith Rountree, pesquisadora da Faculdade de Direito da Universidade Northwestern, nos EUA, publicou em 2014 um trabalho focado em casos de "voluntários" condenados à morte no Texas para tentar investigar as razões deles.
Segundo a especialista, existem diferentes interpretações sobre o que acontece com essas pessoas. Alguns apontam para problemas de saúde mental ou para o impacto da rotina no corredor da morte, em que os presos geralmente vivem confinados e com muito pouco contato social.
Outros, pelo contrário, consideram que é uma decisão racional baseada na defesa da autonomia pessoal. Nesses casos, solicitar a execução seria um sinal de que o detento exerceria controle sobre seu destino final, reivindicando sua autonomia.
Manifestantes protestam contra pena de morte no TexasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNos últimos 40 anos, o Estado onde mais se aplicou a pena de morte nos EUA foi o Texas
Segundo Rountree, "voluntários" compartilham algumas características com aqueles que tentam cometer suicídio na prisão. E Dozier é um deles.
Enquanto estava na prisão, ele tentou tirar a própria vida com uma overdose de antidepressivos. A tentativa o deixou em coma por duas semanas e o fez perder 30 kg. Após esse episódio, ele disse que não tentaria mais o suicídio.
Na prisão, ao contrário de outros condenados, Dozier conta com o apoio constante de seus irmãos. Pelo menos por um tempo, eles conseguiram dissuadi-lo de se tornar um voluntário.
O condenado também manteve contato com sua ex-mulher, Angela Drake, com quem tem um filho. Agora, ele também é avô.
À revista Mother Jones, ele disse que o preocupa que a neta só o conheça como um prisioneiro, bem como a possibilidade de que, permanecendo vivo, ele acabará se tornando um fardo emocional para toda a família.
"Estou cansado de ser o peão dos outros, eles (as autoridades) gastaram milhões de dólares para me condenar à morte e depois milhões de dólares não me matando. Isso não faz sentido", disse, sobre os adiamentos de sua execução.

Injeção letal

Apesar de seu desejo de ser executado, há um elemento que ainda lança dúvida sobre a possibilidade de isso acontecer: a controvérsia sobre a mistura de drogas que as autoridades planejam usar em uma injeção letal.
Nova sala de execuções da prisão de Ely, nos EUADireito de imagemDEPARTAMENTO DE EXECUÇÃO PENAL DE NEVADA
Image captionCaso execute Dozier nesta quarta-feira, o Estado de Nevada usará pela primeira vez a nova sala de execuções da prisão de Ely, que custou US$ 860.000
O Departamento de Execução Penal de Nevada anunciou no início de julho que aplicará um coquetel que nunca foi testado, que mistura midazolam (um sedativo), fentanil (um opióide) e cisatracúrio (um agente paralisante neuromuscular).
Uma mistura semelhante foi alvo de contestação judicial no final do ano passado - razão pela qual a execução de Dozier foi adiada.
No centro da disputa estava o uso do cisatracúrio, uma droga que poderia causar uma sensação de afogamento em Dozier, mas sem ele estar ciente do que estaria acontecendo com ele.
Um anestesista compareceu ao tribunal e disse que o uso da substância poderia causar "sofrimento e dor cruel", levando o prisioneiro a ter "uma experiência horrível".
A União Americana pelas Liberdades Civis também questionou a aplicação do midazolam, usado anteriormente em execuções problemáticas que ocorreram em pelo menos sete estados do país, nas quais os presos demoraram a morrer e apresentaram sinais visíveis de sofrimento.
Dozier não parece se preocupar com essa discussão e segue disposto a correr o risco de uma morte desse tipo.
"Não há nada que tenha acontecido no ano passado, incluindo as discussões sobre drogas, sua eficácia... o fato de que aquelas (drogas) que foram usadas em outros Estados levaram a execuções problemáticas, longas e talvez dolorosas, nada disso te dissuadiu de me pedir para assinar este pedido (de execução)?", questionou a juíza Togliatti a ele em julho do ano passado antes de dar sinal verde para sua morte.
"Francamente, meretíssima, todas aquelas pessoas acabaram mortas e esse é o meu objetivo aqui", respondeu Dozier.

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A professora que ensina yoga para elevar a autoestima de presidiárias



Irene Auma

Irene Auma se apresenta como uma "guardiã da esperança" que "espalha alegria" nas prisões.
Fundadora do Projeto Dentro das Prisões, ela ensina yoga para detentas da prisão Langata, em Nairobi, no Quênia.
"O que me deixa feliz é vez uma prisioneira feliz", diz Irene, com um enorme sorriso no rosto.
Ao ensinar as posturas dessa prática, ela diz estar melhorando a saúde e a autoestima dessas mulheres enquanto elas estão atrás das grades.
Sua maior conquista, afirma Irene, é ver uma prisioneira adquirir de volta sua autoconfiança e um senso mínimo de normalidade em suas rotinas.
"Elas estão aqui por motivos diferentes e algumas estão tristes, sentem falta da família", diz ela..
"Elas sentem falta de uma vida normal, e faço isso porque é um serviço à humanidade."

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https://www.bbc.com/portuguese/geral-44789526

Igreja Mórmon deveria parar de interrogar crianças sobre sexo, dizem integrantes

David Sheppard, que foi interrogado aos 12 anos de idadeDireito de imagemDAVID SHEPPARD
Image captionDavid Sheppard foi interrogado aos 12 anos por um bispo e afirma que a questão sobre masturbação o deixou com sentimento de culpa
Atuais e ex-integrantes da Igreja Mórmon estão pedindo que a instituição pare de fazer as chamadas "entrevistas da dignidade", uma prática em que crianças a partir de 8 anos são interrogadas sobre questões íntimas e sexuais.
"Eles nos ensinam que masturbação só não é pior que assassinato", diz David Sheppard, de 27 anos.
Aos 12, ele passou por uma dessas entrevistas, conduzida por um bispo.
"Eu sofri com muita culpa, porque fiz coisas que não deveríamos", afirma em entrevista ao programa Victoria Derbyshire, da BBC. "Me senti como se fosse um anormal sexual ou pervertido".
Sheppard, de Londres, foi criado dentro da Igreja Mórmon.
A estrutura é dividida em alas, que são unidades semelhantes às paróquias católicas, com o bispo sendo o chefe espiritual de uma ala local.
As "entrevistas da dignidade" geralmente começam em torno do oitavo aniversário da criança, quando ela é batizada, e voltam a ocorrer quando completa 12. Depois disso, o interrogatório é feito pelo menos uma vez por ano na idade adulta.
O propósito, segundo a instituição, é preparar crianças e adolescentes espiritualmente e garantir que eles obedeçam aos mandamentos.

Entrevista chega a durar seis horas

Ainda que alguns bispos optem por não fazer perguntas sobre sexo, o elemento mais controverso das entrevistas se refere a algo conhecido como "a lei da castidade".
Na Igreja Mórmon - oficialmente, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias -, o sexo fora do casamento, a pornografia e a masturbação são proibidos.
Sheppard diz que, entre os 16 e 19 anos, teve "algumas namoradas" com quem manteve relações íntimas, sem fazer sexo.
"Decidi confessar o que tinha feito e isso me levou a seis horas de interrogatório", acrescenta.
"Eles fizeram perguntas como: 'Você tocou nela?' e 'Você a levou ao orgasmo?'"
"Eles até tentaram me fazer revelar os nomes das garotas para que pudessem tratar disso com elas também", lembra.
"Em determinado momento da entrevista me senti mal, com ansiedade, e pedi para sair e ir ao banheiro, mas eles não permitiram. Senti como se tivesse uma total perda de controle."
David Sheppard na Alemanha em 2011Direito de imagemDAVID SHEPPARD
Image captionSheppard durante trabalho missionário em 2011, na Alemanha: Ele afirma que teve de responder a perguntas durante seis horas
As entrevistas são conduzidas em uma sala fechada em que a criança ou o adolescente ficam sozinhos com um bispo mais velho.
A prática causou controvérsia nos Estados Unidos e, agora, no Reino Unido - onde a igreja diz ter 190 mil fiéis - há uma campanha para abolir as entrevistas.
"Como pessoa, o bispo era um bom homem", diz Sheppard.
"Ele estava apenas fazendo o que lhes disseram para fazer, mas acho que as entrevistas deveriam ser feitas mediante consentimento das crianças, e deveria haver mais alguém também na sala."
O programa Victoria Derbyshire também ouviu relatos de uma mulher que, quando adolescente, diz ter ouvido dos religiosos para não usar contraceptivos, e de um homem que teria sido aconselhado por um bispo para "afastar o gay que havia nele".
A Igreja Mórmon disse que "condena qualquer comportamento inadequado, independentemente de onde ou quando ocorre".
E acrescentou: "Os líderes da igreja local recebem instruções sobre as entrevistas com os jovens e é esperado que as analisem e sigam".
"Um líder espiritual cuidadoso e responsável desempenha um papel importante no desenvolvimento de um jovem, reforçando o ensino dos pais e oferecendo orientação espiritual", disse ainda a instituição.
Questionada sobre como funcionam as entrevistas no Brasil e se a prática poderá ser revista, a Igreja Mórmon no país divulgou um posicionamento semelhante ao internacional - sem responder a questões específicas - acrescentando que tem "a mesma preocupação com a segurança e o bem-estar dos jovens" e que "assim como em qualquer prática da Igreja, busca continuamente encontrar meios de progredir e se moldar seguindo o Salvador, de modo a atender às necessidades de seus membros."

Pornografia é considerada 'satânica'

Stephen Blomfield, de Bedford, na Inglaterra, esteve no Alto Conselho de Estaca da Igreja até 2011 e ainda é um membro ativo da Igreja Mórmon. Ele não realizou entrevistas, mas atuou como consultor para pessoas que fizeram.
Ele também acredita que a prática deve ser abolida.
"No meu primeiro programa de jovens, com 12 ou 13 anos", diz ele, "nos disseram que beijar era ruim, que gostar de meninas era ruim e que tocá-las era ruim".
"Então, eu fiquei com um sentimento enorme de culpa, porque já beijei garotas."
A masturbação e a pornografia, acrescenta, eram descritas como "satânicas".
Imagem mostra membros da Igreja MórmonDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA Igreja Mórmon tem cerca de 12 milhões de membros em todo o mundo
Pela experiência que teve nos anos 80 e 90, Blomfield - cujo pai era bispo - conta que o grau de intimidade das perguntas dependia do bispo que as conduzia.
"Alguns líderes faziam perguntas realmente explícitas, enquanto outros nunca perguntavam (nada relacionado à sexualidade), a menos que você confessasse primeiro."
Hoje, Blomfield tem filhos e diz que informou a sua igreja que eles não serão entrevistados.
"Se eles quiserem fazer isso, vão precisar discutir comigo primeiro ou garantir que eu estarei presente. Sou da opinião de que as entrevistas devem acabar. Elas acontecem desde que a religião começou, mas nunca deveriam ter sido criadas."
As entrevista, continua, "são invasivas e abordam questões particulares. Eu acho que fazem alguns mórmons se sentirem humilhados - porque não podem viver de acordo com os padrões estabelecidos".

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O casal de espanhóis que encontrou no Peru filha que aderiu a seita apocalíptica

Patricia AguilarDireito de imagemAFP
Image captionPatrícia Aguilar fugiu, em 2017, de sua casa em Alicante, na Espanha, e cortou todo tipo de contato com a família. Foi encontrada na floresta peruana um ano e meio depois
O espanhol Alberto Aguilar passou um ano e meio procurando pela filha Patrícia, de 19 anos. Encontrou a jovem desnutrida, no meio da floresta amazônica do Peru, com um bebê de menos de um mês nos braços- sem vacinação e repleto de picadas de insetos.
O pai da filha dela seria o guru de uma seita apocalíptica. Esse mesmo homem teria sido responsável por levar Patrícia para morar no meio da selva.
Ela ficou encarregada de cuidar dos filhos de outras quatro mulheres e passou a viver numa pequena cabana, em condições precárias, em San Martín de Pangoa, um povoado a 600 km de Lima.

A fuga de casa

Patrícia Aguilar fugiu da sua casa na Espanha em janeiro de 2017, pouco depois de fazer 18 anos. Deixou para trás o município de Elche, em Alicante, onde morava com os pais, e cortou todo e qualquer contato com a família.
Ela embarcou para o Peru e começou a viver com Félix Steven Manrique, um peruano de 35 anos que conheceu pela internet quando tinha 16 anos. Ela tinha recebido uma mensagem de Manrique após fazer uma busca na internet para tentar desvendar o significado de um "sonho estranho" que havia tido.
Até ser preso, o peruano, que é técnico eletricista de formação, tinha vários perfis e páginas na internet, onde publicava previsões de que o fim do mundo estava próximo. Ele se apresentava como um eleito, um salvador, um enviado de Deus diante do apocalipse.
Patricia AguilarDireito de imagemAFP
Image captionPatricia estava cuidando do bebê de quatro outras mulheres, quando foi encontrada na selva
O peruano se fazia chamar de "o príncipe" e era líder de uma seita. No YouTube, por exemplo, lançou um canal como o nome: "Gnosis Budismo Profecias Príncipe Venerável Maestro Príncipe Gurdjieff", onde explicava suas doutrinas apocalípticas.
Ele afirmava que sua missão era repovoar o planeta e ter filhos com o maior número possível de mulheres. Patrícia se tornou uma delas.

'Especialista em persuasão'

"Steven Manrique se dedicava, por meio das redes sociais, a captar mulheres bem jovens, num trabalho sutil que levou anos", explicou à BBC News María Teresa Rojas, advogada da associação SOS Desaparecidos, e representante legal da família de Patrícia.
"Patrícia se encontrava em uma situação de vulnerabilidade psicológica. Um tio de quem ela era muito próxima tinha acabado de morrer", disse. Segundo a advogada, Manrique é "especialista em técnicas de persuasão" e conseguiu manipular a jovem.
Filha de Patricia AguilarDireito de imagemAFP
Image captionFélix Steven Manrique se descrevia como um Deus que queria repovoar a Terra tendo filhos com o maior número de mulheres possíveis. Ele teve um bebê com Patricia
"Primeiro ele se apresentou como um amigo. Depois, como uma espécie de noivo. Quando viu que era o momento adequado, começou a contar a ela que o mundo estava indo muito mal, que haveria muitas guerras, que tudo estava escrito e que ele era uma espécie de Deus que atuaria como juiz no apocalipse", conta Rojas.
"Aos poucos, com as técnicas usadas por Manrique, Patrícia foi perdendo a cabeça."
Esse processo se seguiu por dois anos até que, há um ano e meio, a jovem decidiu abandonar a família para seguir esse "guru".
Os pais de Patrícia imediatamente iniciaram uma busca incansável e decidida para encontrar a jovem. Alberto, o pai, chegou a viajar para o Peru e aparecer em programas de televisão pedindo apoio às autoridades locais.
A família gastou todas as economias na busca e organizou campanhas de arrecadação para reunir mais dinheiro. Graças à ajuda de doadores, puderam colaborar financeiramente com a operação policial que permitiu, na semana passada, que Patricia fosse, finalmente, encontrada na selva do Peru. Manrique foi preso.

'É um homem muito perigoso'

Os agentes localizaram o guru em Alto Celedín, um povoado no distrito peruano de San Martín de Pangoa, onde ele vivia com duas mulheres - uma delas é a esposa oficial.
Rojas explica que a polícia peruana alugou uma casa contígua a de Manrique. De lá, deram início à operação.
"Graças a isso, souberam que Patrícia estava sozinha com as crianças em algum lugar da selva. Após conseguirem a confissão de uma das mulheres que viviam com Manrique, puderam localizá-la", explicou a advogada.
Manrique foi detido na quarta-feira (4) da semana passada. Nesta quinta (12), a justiça peruana deve decidir se decreta prisão preventiva ou se liberta o suposto guru.
"Esperamos que ele seja mantido na prisão. É um homem muito perigoso. Temos certeza que, além de Patrícia, ele cooptou outras menores de idade", afirma Rojas.
A advogada considera que é muito provável que haja provas disso no material apreendido pela polícia durante a operação.
"Steven Manrique tentou engolir dois pen drives no momento da prisão, mas não conseguiu", conta.
O pai de Patrícia está no Peru. Mas ainda não conseguiu ver a filha nem a neta, nascida no dia 28 de maio em meio a condições de higiene precárias, na mesma cabana onde Patricia foi encontrada.
Tanto a jovem espanhola quanto as mulheres que estavam com o guru da seita no momento da prisão foram levadas a Lima, onde se encontram na companhia de seus filhos. Elas foram submetidas a exames médicos e psicológicos para determinar seu estado de saúde físico e mental.

'Temos que salvar esse bebê'

Patricia AguilarDireito de imagemAFP
Image captionFamília teme que lavagem cerebral em Patrícia faça com que ela resista a buscar tratamento psicológico
Mas a família de Patrícia sabe que não será fácil reconstruir a relação com a filha. Os pais acreditam que os efeitos da lavagem cerebral feita por Manrique persistem.
"Não nos surpreenderia se, num primeiro momento, Patrícia saia em defesa de Steven Manrique. É muito possível que, para ela, os vilões sejam nós e que ela considere normal tudo o que viveu, afinal de contas esse homem se apropriou da vontade dela", afirma Rojas.
"Quando prenderam (Manrique), uma das mulheres que estavam com ele não hesitou em tirar os próprios sapatos para que ele não tivesse que sair descalço. Elas o consideram um ser superior."
O grande problema é que Patrícia é maior de idade e ninguém pode obrigá-la a passar por tratamento psicológico para superar esse trauma.
"Se ela defender Steven Manrique com unhas e dentes, poderíamos pedir que fosse declarada incapaz e aí retirariam a guarda da filha dela para entregar à família. Pelo menos temos que salvar esse bebê", defende Rojas.