sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eu sou assim...




Eu sou assim...

Esse pedaço de sonho colado, desbotado, vaiado;
Retrato apagado pelo tempo, lento, incoerente,
Voz que se perdeu no deserto, porque ninguém ouviu;
Sombra imaginária, vagando solitária, por caminhos incertos,
À procura do nada que ninguém viu.

Folha amarelada, ressecada, jogada, levada pelo vento;
Sou o eco daquele que não foi ouvido e do que sequer foi nascido;
Sou menina abandonada no abismo profundo;
Pivete exposto ao relento e ao crime, num beco imundo.

Sou mãe solteira... sem profissão, desrespeitada, 
sem eira nem beira;
Dessas, que às vezes para matar a fome recolhe restos na feira.

Sou passarinho entristecido, sem liberdade, de voz aniquilada.
Sou apenas isso, um resto humano, sem alegria, sem lar, 
Sem planos, sem sonhos..

Eu sou assim...

Um grito perdido no vazio
O beijo gélido no escuro
O abraço morto de frio.
**************
Ísis Dumont
(eu mesma!) rsrs


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