Em nota divulgada no sábado (15), a prefeitura do município afirmou que
as aplicações foram feitas indevidamente e sem autorização da gestão. A
aplicadora foi afastada.
Secretário Geraldo Medeiros - Foto: Arquivo
Em
entrevista à CNN Brasil, neste domingo (16), o secretário de Saúde da
Paraíba, Geraldo Medeiros revelou que 60 crianças receberam doses de
adultos vencidas contra a Covid-19 no município de Lucena, localizado na
Região Metropolitana de João Pessoa.
De acordo com o chefe da
pasta estadual, as crianças têm de 4 a 11 anos de idade e receberam o
imunizante em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da zona rural da cidade.
“O Ministério Público Federal está apurando se houve um erro ou uma atitude deliberada da auxiliar da enfermagem”, destacou.
Em nota divulgada no sábado (15), a Prefeitura de Lucena afirmou que
as aplicações foram feitas indevidamente e sem autorização da gestão. A
aplicadora foi afastada.
As crianças estão sendo acompanhas pela Saúde do Estado e apresentam
eventos adversos habituais da vacina como febrícula e dor no local da
injeção, conforme o secretário, e serão avaliadas e revacinadas em um
período de 30 dias.
Geraldo Medeiros também anunciou que a vacinação de crianças contra a Covid-19 no município será feita pelo Estado.
Uma
operação para prender um homem acusado de pedofilia, no Rio de Janeiro,
acabou resultando na apreensão de vasto material nazista na casa dele.
Os policiais encontraram também armas novas e antigas - todas com vasta
munição.
'Parecia museu de horror', diz delegado que encontrou arsenal
nazista na casa de pedófilo
Na reportagem especial deste domingo (16), o Fantástico fez um alerta: grupos extremistas que pregam o ódio e a intolerância estão se espalhando pelo Brasil e se organizando para sair da internet e partir para o ataque. São
pessoas que falam abertamente em matar judeus, negros e homossexuais,
ressuscitando discursos nazistas, e a polícia já descobriu que eles têm
acesso a armamento pesado.
"Aí,
olha a MP5, metralhadora original da Segunda Guerra. Temos uma 380, uma
9mm e um magnum 44. Essa arma aqui mata até elefante. E a quantidade de
munição... Muita munição, para todas as armas", aponta o comissário
Francisco Cardoso.
A polícia ainda não conseguiu avaliar o valor das peças encontradas no
mercado ilegal e precisou chamar especialistas em história para
assessorar os peritos. Um deles, com 21 anos de experiência, disse que "nunca havia pegado um caso como esse".
Debora Levy, diretora do Memorial às Vítimas do Holocausto do Rio de
Janeiro, identificou vários objetos ligados ao nazismo: "Aqui um quadro,
pôster, que na época se usava para convocar jovens a se alistarem. Essa
aqui é uma farda com vários remendos".
O dono de tudo isso se chama Aylson Proença Doyle Linhares e tem 58
anos. Uma das provas encontradas pela polícia foi o passaporte dele, que
tem registros de viagens todo ano para a Alemanha - algumas com meses
de duração. Agora, a polícia investiga se havia uma organização por trás
dele e se o material seria vendido.
"Nós
nos dirigimos um dia para lá, não esperando o que a gente encontrou, e
nos surpreendemos. Não somente com essa quantidade de material de cunho
nazista, mas também com várias armas. Não somente armas nazistas, mas
armas atuais escondidas em vários pontos da residência. Parecia um museu
de horror", revela o delegado Luis Mauricio Armond Campos.
Ela
morreu de causas naturais em casa no Rio de Janeiro nesta quinta (20).
Uma das maiores cantoras do Brasil, ela lançou 34 discos com mistura de
samba, jazz, eletrônica, hip hop e funk.
Elza Soares
morreu aos 91 anos nesta quinta-feira (20), no Rio de Janeiro. "É com
muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e
compositora Elza Soares,
aos 91 anos, às 15 horas e 45 minutos em sua casa, no Rio de Janeiro,
por causas naturais", diz o comunicado enviado pela assessoria da
cantora.
"Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do
mundo, a cantora eleita como a Voz do Milênio teve uma vida apoteótica,
intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua
determinação."
"A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da
música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo. Feita a
vontade de Elza Soares, ela cantou até o fim."
Elza Gomes da Conceição é considerada uma das maiores cantoras da música brasileira,
com carreira no samba que começou no final dos anos 50. O início veio
como parte da cena do sambalanço com "Se Acaso Você Chegasse", em 1959.
Nos 34 discos lançados, ela se aproximou do samba, do jazz, da música
eletrônica, do hip hop, do funk e dizia que a mistura era proposital. O
último disco lançado foi "Planeta Fome", em 2019.
A expressão era uma alusão ao episódio em que foi constrangida por Ary
Barroso no programa de calouros que participou nos anos 50. "De que
planeta você vem, menina?", ele disse. E ela respondeu: "Do mesmo
planeta que você, seu Ary. Eu venho do Planeta Fome."
Retrato de Elza Soares durante entrevista na capital paulista em março de 1986 — Foto: Nem de Tal/Estadão Conteúdo/Arquivo
"Eu sempre quis fazer coisa diferente, não suporto rótulo, não sou
refrigerante", comparava Elza. "Eu acompanho o tempo, eu não estou
quadrada, não tem essa de ficar paradinha aqui não. O negócio é
caminhar. Eu caminho sempre junto com o tempo."
Desde que lançou o álbum "A mulher do fim do mundo", em 2015, a cantora viveu mais uma fase de renascimento artístico. “Me deixem cantar até o fim”, pediu Elza em verso da música que batiza o álbum.
Começo no samba
Mais voltada para o samba, a primeira fase da cantora tem discos
gravados nos anos 60 com o cantor Miltinho (1928–2014) e o baterista
Wilson das Neves (1936–2017).
Fazem parte desta era lançamentos como "O samba é Elza Soares" (1961), "Sambossa" (1963), "Na roda do samba" (1964) e "Um show de Elza" (1965).
Mané Garrincha e Elza Soares no aeroporto do Aeroporto do Galeão — Foto: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO
Outras fases vieram. Nos anos 70, escolheu cantar o samba de ritmo mais
tradicional. A fase rendeu sucessos como "Salve a Mocidade" (Luiz Reis,
1974), "Bom dia, Portela" (David Correa e Bebeto Di São João, 1974),
"Pranto livre" (Dida e Everaldo da Viola, 1974) e "Malandro" (Jorge
Aragão e Jotabê, 1976).
Devido a essa fase de menos sucesso, ela pensou até em desistir da
carreira, mas resolveu procurar Caetano Veloso, em hotel de São Paulo,
para pedir ajuda.
O auxílio veio na forma de convite para participar da gravação do samba-rap "Língua", faixa do álbum do cantor, "Velô" (1984).
Essa participação mostrou a bossa negra de Elza Soares
a uma nova geração e abriu caminho para que a cantora lançasse, em
1985, um álbum menos voltado para o samba. "Somos todos iguais" tinha
música de Cazuza (1958–1990).
Em 2002, com direção artística de José Miguel Wisnik, fez um dos álbuns
mais modernos da discografia, "Do cóccix até o pescoço". No ano
seguinte, foi a vez de "Vivo feliz", mais voltado para a eletrônica.
Elza seguia fazendo shows até antes da pandemia da Covid-19 e cantou em
lives. Ela estava produzindo um novo álbum de estúdio que pode ter
lançamento póstumo.
Nesta semana, ela também se apresentou em shows no Theatro Municipal de
São Paulo que foram gravados para o lançamento de um DVD.
O botânico Valdely Kinupp segura um cacho de buriti, fruto típico da Amazônia e do Cerrado.
A
cada ano, entre 60 e 70 milhões de toneladas do fruto mais rico em
carotenoides do mundo amadurecem no Brasil, mas só uma ínfima parcela é
aproveitada por humanos.
A informação está em "Frutas comestíveis na Amazônia", livro do botânico Paulo Bezerra Cavalcante, lançado em 2010.
A
estimativa trata do buriti, fruto de uma palmeira abundante na Amazônia
e no Cerrado, mas desprezado pela indústria alimentícia.
As
propriedades antioxidantes do buriti ajudam a prevenir câncer e outras
doenças. Versátil, ele pode ser consumido in natura ou transformado em
farinha, doces e pães.
Ainda
assim, o fruto é uma das várias espécies alimentícias nativas do Brasil
que têm perdido espaço em lares, restaurantes e mercados ao mesmo tempo
em que a fome cresce e a comida encarece no país.
Muitas
dessas espécies produzem frutos comestíveis. Outras são hortaliças que
nascem espontaneamente em campos agrícolas e canteiros, mas são vistas
como ervas "daninhas".
Em
comum, muitas delas são considerados superalimentos por terem grande
quantidade de nutrientes - como minerais, vitaminas e antioxidantes.
Crédito, Prefeitura de BH Legenda da foto, Ora-pro-nóbis integra culinária típica de Minas Gerais, mas é pouco conhecida em vários outros Estados.
'Matos' comestíveis
Resistentes,
várias hortaliças espontâneas comestíveis toleram grandes variações
climáticas e dispensam cuidados especiais. Um exemplo é o caruru, que
tem folhas com propriedades semelhantes às do espinafre e sementes com
17,2% de proteínas.
Outra planta é a beldroega, rica em ômega-3 e nas vitamina B e C, além de ter propriedades antioxidantes.
Todos
os anos, porém, muitos agricultores recorrem a herbicidas para destruir
grandes quantidades de caruru e beldroega antes de substituí-las por
espécies exóticas. E, em muitos casos, as novas espécies plantadas têm
menos nutrientes que as anteriores, são mais sujeitas a pragas e são
dependentes de fertilizantes, cujos preços também estão em alta.
Pesquisador
do ramo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
dedicado a hortaliças, o agrônomo Nuno Rodrigo Madeira diz à BBC News
Brasil que hortaliças como o caruru e a beldroega têm mais nutrientes
que várias verduras convencionais justamente por serem mais resistentes.
"Como
elas não são adubadas, elas disparam processos metabólicos para
conseguir viver na adversidade e aguentar calor e seca, e isso faz com
que fiquem mais nutritivas para a gente", afirma.
Crédito, Kew Science Legenda da foto, Beldroega é provavelmente originária da África, mas se tornou espontânea em solos de todo o Brasil.
Para Madeira, o desprezo por essas espécies se deve ao "afastamento entre a sociedade e a origem do alimento".
"Nós
nos distanciamos da produção, só entendemos mercados, e o ente mercado
quer que a gente gaste mais, senão o PIB reduz", afirma.
Vender
nos supermercados hortaliças que crescem sozinhas como "matos", diz
ele, não seria tão lucrativo quanto vender as verduras convencionais -
daí a resistência do setor em incorporar esses itens.
Só
a lógica comercial, segundo Madeira, explica que em uma cidade quente
como Manaus agricultores recorram a pedras de gelo para conseguir
cultivar hortaliças como a alface, enquanto tantas espécies nativas
adaptadas ao calor são deixadas de lado.
E isso não ocorre só no Brasil.
Crédito, Kew Science Legenda da foto, Caruru cresce espontaneamente em jardins e canteiros agrícolas de todo o Brasil.
Professor
do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) em Manaus, o botânico Valdely
Kinupp diz à BBC que 90% do alimento mundial hoje vem de 20 tipos de
plantas - embora se estime que até 30 mil espécies vegetais tenham
partes comestíveis.
Os
números soam ainda mais paradoxais no Brasil, país que abriga entre 15%
e 20% das espécies vegetais do planeta, mas alimenta a maior parte de
sua população com o mesmo cardápio limitado - e majoritariamente
estrangeiro.
São
estrangeiros quase todos os principais produtos agrícolas do país, como
a soja (China), o milho (México), a cana-de-açúcar (Nova Guiné), o café
(Etiópia), a laranja (China), o arroz (Filipinas) e a batata (Andes).
Entre
as raras plantas que fizeram o caminho inverso, saindo do Brasil para
ganhar outras partes do mundo, estão a mandioca, o cacau e o amendoim.
"É muito pouco", diz Kinupp. "Vivemos um imperialismo
agroalimentar.
Legenda da foto, Presença de buriti em paisagens costuma indicar a existência de algum curso d'água.
No
livro "Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil", que
Kinupp lançou com o colega botânico Harri Lorenzi em 2014, são listadas
351 espécies alimentícias "subutilizadas, mal conhecidas e
negligenciadas" pela população brasileira.
Muitas
delas são nativas; outras, espécies exóticas já naturalizadas e
aclimatadas ao país. Várias são conhecidas por uma série de nomes
populares distintos (para evitar confusão, listamos no fim desta
reportagem os nomes científicos das principais espécies citadas nesta
reportagem).
Kinupp é um dos principais líderes no Brasil de um movimento pela valorização das PANC, o acrônimo que batiza seu livro.
Legenda da foto, Agricultura de larga escala costuma desprezar plantas alimentícias que surgem espontaneamente no campo.
Nos
últimos anos, embalados pelo movimento, alguns mercados e feiras
ampliaram a oferta de PANC, chefs as incorporaram em restaurantes, e
cozinheiros criaram contas no Instagram e YouTube para compartilhar
receitas.
Mas ele afirma que ainda falta muito para que essas plantas deixem de ser consideradas "não convencionais".
No
caso das espécies silvestres presentes na lista, por exemplo, é preciso
que agricultores e instituições de pesquisa se dediquem a estudá-las -
assim como fazem há milênios com plantas como o arroz e o trigo.
E
quando a planta só existe em ambientes naturais, como o buriti, deve-se
trabalhar com comunidades tradicionais e pequenos agricultores para
apoiar redes de coleta, beneficiamento e comercialização com preço
justo.
Legenda da foto,Valdely Kinupp mostra tubérculo gigante do cará-de-espinho, que pode ser consumido como a batata
O que é PANC
Kinupp esclarece que algumas plantas do livro são consumidas em partes do país, mas ignoradas em outras.
Uma
das espécies que mais o entusiasmam é o cará-de-espinho, uma trepadeira
nativa das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste que produz tubérculos
comestíveis que podem ultrapassar 180 kg.
"Essa
planta é a solução para a agricultura no trópico úmido", afirma.
Segundo o pesquisador, os tubérculos podem ficar armazenados por até 120
dias fora da geladeira sem apodrecer e podem ser consumidos como a
batata (frita, cozida, em purê) ou virar farinha.
Hoje, no entanto, ele afirma que a espécie só é consumida em aldeias indígenas e em comunidades rurais no Baixo Amazonas.
Outras
espécies citadas no livro têm mais penetração popular ou já foram mais
consumidas - caso da ora-pro-nóbis, um arbusto com frutos, flores e
folhas comestíveis originário do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, e
que pertence à culinária típica de Minas Gerais.
Seus frutos são ricos em carotenoides e vitamina C, e as folhas, quando desconsiderada a água, têm até 35% de proteína.
Legenda da foto, Coletor de babaçu no Maranhão; atividade tem encolhido nas últimas décadas
Outro
exemplo é o babaçu, palmeira nativa do Mato Grosso e de vários Estados
do Nordeste, cuja castanha pode ser consumida cru ou torrada, além de
processada para extração de leite ou transformada em farinha para pães e
mingaus.
Essa castanha contém de 60% a 70% de óleo rico em ácido láurico, similar ao presente no óleo de coco e no azeite de dendê.
Em
1984, a Embrapa identificou a existência de 12 a 18 milhões de hectares
de babaçuzais no Brasil. Na página de seu livro dedicada à espécie,
Lorenzi e Kinupp afirmam que o babaçu tem "grande potencial alimentício"
e "deveria estar no mercado".
E houve uma época em que o fruto de fato esteve nas prateleiras.
Na
década de 1990, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), cerca de 300 mil famílias trabalhavam com o fruto.
Em 2017, no entanto, o número havia despencado para 15 mil famílias.
Pesquisadora
em agricultura familiar e desenvolvimento sustentável da Embrapa
Cocais, no Maranhão, a agrônoma Guilhermina Cayres diz que hoje quase
toda a extração atual é destinada à indústria de cosméticos e materiais
de limpeza.
Ela
afirma à BBC que o Maranhão chegou a ter várias indústrias dedicadas à
produção de óleo de cozinha de babaçu. Porém, o setor não foi capaz de
competir com o óleo de soja, mais barato, e tem sofrido com a expansão
da pecuária sobre os babaçuzais.
Além
disso, Cayres afirma que muitos trabalhadores deixaram o babaçu por
associá-lo à pobreza e por considerar a atividade extenuante.
Legenda da foto,Quebradeira de coco no Maranhão, onde fruto chegou a gerar renda para 300 mil famílias
Grande
parte do serviço das famílias consiste em quebrar artesanalmente o coco
que abriga as castanhas, função desgastante e normalmente assumida por
mulheres.
A
pesquisadora diz esperar que o cenário mude com o desenvolvimento pela
Embrapa de uma ferramenta que facilita a quebra do coco.
A
invenção, que já está sendo fabricada por uma pequena empresa local,
foi finalista de um prêmio sobre tecnologias sociais da Fundação Banco
do Brasil em 2021.
Cayres também aposta no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado à base de babaçu, como biscoitos e sorvetes.
Comida que vai para o lixo
Também são consideradas PANC espécies que são consumidas nacionalmente, mas têm partes comestíveis descartadas pela maioria.
Um
exemplo é o miolo do mamoeiro, que pode ser transformado em doces e
farinha. Outro, o mangará ("coração") da bananeira, que pode ser servido
refogado ou como recheio de pastéis.
Legenda da foto, Além dos frutos, miolo do mamoeiro também é comestível.
Hoje, porém, quase todas as plantações comerciais de mamão e banana do país desprezam os itens.
Até
mesmo a polpa de um fruto bastante popular, o caju, é descartada às
toneladas no Nordeste por indústrias que processam a castanha da fruta,
diz à BBC News Brasil o sociólogo Carlos Alberto Dória, autor de vários
livros sobre gastronomia.
"Os
galhos (dos cajueiros) são usados como lenha, e a castanha é torrada e
exportada", ele diz. "O resto, a polpa, vai para o lixo em quantidade
expressiva", afirma.
Um
dos sócios do Lobozó, restaurante em São Paulo inspirado nas antigas
culinárias caipira e caiçara do Estado, Dória diz que o movimento pela
valorização das PANC tem alcance limitado.
"É uma coisa de classe média que quer experimentar novidade e que se angustia com o desprezo pela diversidade", afirma.
Diz
ainda que ingredientes regionais, que só sejam produzidos ou consumidos
em partes do país, tendem a desaparecer das prateleiras porque a
indústria privilegia produtos de alcance nacional.
"A exceção talvez seja o açaí, um produto regional que virou uma commodity, mas isso é muito raro", afirma.
Agricultura urbana
Legenda da foto, Horta urbana em Quito, capital do Equador.
Que
meios então haveria para não só preservar mas também ampliar o acesso a
alimentos tão ricos, que exigem tão pouco e ocorrem em abundância no
Brasil?
O pesquisador Nuno Rodrigo Madeira, da Embrapa Hortaliças, sugere três caminhos.
O
primeiro seria incentivar o cultivo de plantas alimentícias não
convencionais, oferecendo apoio técnico aos agricultores, criando feiras
para a venda desses itens e espaços para a troca de conhecimentos.
O
segundo seria aprofundar o debate sobre a comida nas escolas; ensinar
às crianças desde cedo a importância de consumir produtos frescos e
nutritivos, fazê-las se questionarem sobre a origem dos alimentos e
entenderem como a comida é feita.
Ele
diz que o movimento em torno das PANC não é só sobre alimentação, mas
também sobre aprender a observar a natureza, conseguir identificar as
espécies que nos rodeiam, sentir-se parte de um sistema vivo e
integrado.
O
terceiro caminho para diversificar e baratear a comida, segundo o
pesquisador, seria reaproximar a produção de alimentos da população -
especialmente a população que vive nas cidades.
Pessoas
que morem em casas com quintais poderiam se tornar quase
autossuficientes em hortaliças, diz ele, se cultivassem alguns pés de
espécies como ora-pro-nóbis, chaya ou moringa - todas elas árvores ou
arbustos perenes que produzem folhas comestíveis em abundância o ano
todo.
Mas
como nem todos têm espaço em casa para produzir, o pesquisador defende
que as cidades destinem espaços para a criação de hortas urbanas.
Ele
afirma que é possível cultivar hortaliças para todos os habitantes de
uma cidade em 10% de sua área - iniciativa que já vem sendo adotada com
sucesso, segundo Madeira, em cidades como Detroit (EUA), Havana (Cuba)
ou mesmo em Sete Lagoas, em Minas Gerais.
Horta urbana no município de Sete Lagoas, em Minas Gerais.
A escolha das espécies levaria em conta as aptidões de cada local, mesclando plantas convencionais e não convencionais.
Ele
diz que a produção de alimentos dentro das cidades reduziria os custos
deles, pois se economizaria com o transporte dos itens até os mercados, e
poderia ocupar moradores de rua e outros grupos marginalizados.
"Não
faz sentido gastar um mundaréu de combustível para levar cenouras de um
Estado para o outro, como é feito hoje no Brasil", diz.
Madeira
diz que o cultivo de alimentos foi justamente o que propiciou o
surgimento dos primeiros núcleos urbanos da história, conforme famílias
se agruparam em torno de plantações.
"As cidades se formaram por causa da agricultura, e a agricultura não pode estar longe das cidades", diz.
Corpo de Bombeiros realizam resgate de moradores em Nova Lima, cidade de Minas Gerais atingida pelas chuvas
As
fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos dias devem perder
força até a quinta-feira (13/1), segundo previsão do Instituto Nacional
de Meteorologia (Inmet). Entre segunda e esta terça-feira, pelo menos 10
pessoas morreram em cinco cidades do Estado, segundo a Defesa Civil.
Fenômenos
como esse - muita chuva em curto período de tempo e concentrada em
determinada região - podem se repetir ao longo do verão deste ano por
causa do fenômeno climático chamado La Niña, de acordo com
meteorologistas do órgão federal.
No
caso de Minas Gerais, a forte precipitação dos últimos dias, que causou
uma série de transtornos no Estado, é influenciada pela chamada Zona de
Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) - quando uma massa de umidade se
concentra por alguns dias em uma região, sem conseguir se dissipar.
A
ZCAS, que ocorre principalmente durante a primavera e o verão, atinge
boa parte do país, passando pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste.
"Dois fatores contribuíram para as chuvas em Minas. Houve um bloqueio
atmosférico que não deixou uma massa de umidade se dissipar da região
central do Estado, não deixando a precipitação se mover. E ocorreu uma
baixa pressão atmosférica vinda do Sul, que também contribuiu para a
concentração das chuvas", diz Anete Fernandes, meteorologista do Inmet.
Segundo
o instituto, apenas em Belo Horizonte choveu 241,7 mm em 72 horas -
entre os dias 8 e esta segunda-feira. A média histórica para todo o mês
de janeiro na capital mineira é de 329 mm.
Já
na cidade de Divinópolis, oeste de Minas, choveu 258,8 mm apenas
durante o fim de semana - a média histórica para janeiro é de 300 mm no
município.
As
fortes precipitações causaram uma série de inundações em cidades
mineiras no fim de semana. Segundo a Defesa Civil, as mortes desta
segunda-feira ocorreram nas cidades de Ervália, São Gonçalo do Rio
Abaixo, Dores de Guanhães, Caratinga e Brumadinho - esta última
concentrou cinco das 10 vítimas.
De
acordo com a Defesa Civil, 145 cidades de Minas Gerais estão em
situação de emergência. Houve inundações, deslizamentos e desabamentos.
Em
Raposos, na região metropolitana de BH, o Rio das Velhas transbordou,
alagando cerca de mil casas e deixando 9 mil desabrigados, segundo o
portal G1.
Já
em Santa Luzia, também na Grande BH, 7 mil pessoas estão desalojadas ou
desabrigadas por causa de alagamentos, segundo o Corpo de Bombeiros.
Na
cidade de Pará de Minas, a cerca de 80 km de BH, a prefeitura teme que
uma barragem da empresa Santanense possa se romper em virtude das
chuvas. Famílias que vivem na região foram retiradas de suas casas.
Cidades como Congonhas, Nova Era, Nova Lima e Betim também enfrentam transtornos parecidos.
No sábado, ao menos 10 pessoas morreram
depois que um grande pedaço de rocha se desprendeu de um cânion na
cidade Capitólio, também em Minas. Especialistas acreditam que a forte
chuva, aliada à erosão da rocha, pode ter causado o acidente.
Trecho de vídeo mostra momento exato do acidente
Próximos dias
Segundo
Anete Fernandes, do Inmet, as precipitações devem perder intensidade
nos próximos dias em Minas Gerais por causa da "desconfiguração da
ZCAS". Mas até pelo menos quinta-feira pancadas de chuva podem ocorrer
na região, embora em menor volume, diz.
Nos
próximos meses, no entanto, fenômenos como esse - e como as tempestades
que atingiram a Bahia há poucos dias - podem voltar a ocorrer em outros
estados do país, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e
Sul, aponta a meteorologista.
"O
que aconteceu na Bahia e em Minas são fenômenos parecidos, com a mesma
origem. Esse sistema depende do fluxo de umidade entre Centro-Oeste,
Sudeste e parte do Nordeste, mas também pode se posicionar um pouco ao
sul. Não tem posição fixa, mas pode voltar a ocorrer: estamos vivendo um
ano de La Niña", explica.
O
fenômeno climático La Niña, que se desenvolve quando ventos que sopram
sobre o Pacífico empurram as águas quentes da superfície para o oeste,
em direção à Indonésia.
Em
seu lugar, as águas mais frias do oceano profundo sobem à superfície.
Isso causa grandes mudanças climáticas em diferentes partes do mundo,
inclusive no Brasil, como fortes chuvas.
Segundo
relatório de outubro de 2021 produzido pela Administração Nacional
Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), órgão do governo
americano, o fenômeno climático responsável por invernos rigorosos e
grandes secas em todo o mundo chegou novamente e será sentido por vários
meses.
"As
condições do La Niña se desenvolveram e devem continuar com 87% de
probabilidade entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022", informou a
agência.
Local onde ocorreu acidente em Capitólio, Minas Gerais
Ao
menos cinco pessoas morreram e 30 ficaram feridas neste sábado (8/1)
após um acidente envolvendo lanchas entre os cânions na represa de
Furnas, em Capitólio, Minas Gerais. As informações foram repassadas pelo
Corpo de Bombeiros durante a tarde. Segundo a corporação, o número de
vítimas ainda pode subir.
O
tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais,
informou em um áudio enviado à imprensa que ao menos dois dos mortos
confirmados são homens ainda não identificados. Segundo ele, o
reconhecimento é dificultado pela gravidade das lesões nos corpos das
vítimas.
Segundo
os bombeiros, os corpos ainda não foram encaminhados para identificação
no Instituto Médico Legal (IML) e estavam em um clube náutico da
região.
Vídeos
do momento do acidente circulam pelas redes sociais. Nas imagens, é
possível identificar uma rocha despencando na região onde turistas
faziam um passeio de lancha.
De acordo com o porta-voz dos bombeiros, três embarcações foram
atingidas pelo rolamento e queda de estruturas rochosas. Duas dessas
lanchas afundaram após o acidente.
Segundo
os bombeiros, 23 pessoas receberam atendimento médico na Santa Casa de
Capitólio após o acidente e foram liberadas. Outras duas foram
internadas na Santa Casa de Pimhui, com fraturas expostas.
Três
pessoas receberam atendimento na Santa Casa de Passos, mas não há
informações sobre o estado de saúde delas. Quatro vítimas foram levadas
para a Santa Casa de São João da Barra com ferimentos leves.
“O
livro, assim como o homem, tem alma. Entretanto, a dele não está
destinada ao céu ou inferno, como a nossa. A dele, simplesmente, será o
céu ou o inferno da alma daquele que lhe imputar seu devido valor ou
negar seu propósito. Outrossim, o homem poderá fazer dele uma semente de
sabedoria ou uma arma de mortíferos efeitos.”
Ontem 7 de janeiro, Dia do Leitor, pessoa apaixonada por literatura. Uma pessoa, como em tudo na vida, não nasce leitor, mas aprende convivendo com pessoas que gostam de ler. As influências no ambiente, o acesso a materiais impressos, o incentivo dos adultos é fundamental para a formação de novos (pequenos) leitores. É indispensável o estímulo da família, desde cedo. Lembrando que, se esse cuidado, essa atenção com o passar do tempo não forem deixados de lado, certamente, as crianças serão adultos apaixonados por livros, por leituras. E os benefícios para a vida serão bastante valiosos, sem dúvidas. Tornar-se leitor é uma construção que tem início na infância, inclusive nas séries iniciais.
Há muito podemos observar este fenômeno: o comércio tomado pelas
decorações natalinas com guirlandas, luzes pisca-pisca e a figura
bizarra do Papai Noel, com sua roupa polar mesmo no calorão do Rio de
Janeiro. Árvores de Natal também aparecem às vezes. Mas nisso tudo onde é
que está o Presépio?
Quem se lembra do aniversariante?
O Natal só tem sentido com Jesus, como o Deus Menino em seu berço
paupérrimo, lembrando a fragilidade dos necessitados. Natal é
Natividade, nascimento: a vinda ao mundo do Redentor da humanidade.
Até nos lares isso está sendo esquecido. Passamos pelas ruas vendo
prédios cercados de luzes pisca-pisca e ostentando papais noeis
escalantes ou de pé com seu saco abarrotado de presentes.
Os pais que incutem essa história nas crianças estão mentindo e sabem
muito bem disso. O Papai Noel é uma mentira e as crianças são ensinadas a
serem interesseiras, egoístas e cheias de cobiça material. Com isso
pais pobres, envolvidos pelo sistema, gastam o que não podem para
engambelar suas crianças, pois para estas os pais não gastam dinheiro
algum, o Papai Noel dá tudo de graça. Tudo menos a espiritualidade
trazida pelo Menino Jesus, Maria e José.
Não despreze o Presépio (hoje quase só visto nas igrejas) em prol de uma figura de ilusão.
O que dizer às crianças mais pobres que no Natal não têm nem o que comer, que dirá brinquedos?
Vamos nos libertar dessa mania consumista e restaurar, quanto possível, o
verdadeiro espírito natalino, que é o fomento do amor ágape, da
solidariedade, e os cristãos dia 25 indo à missa ou ao culto. Porque
Natal não é só feriado, é dia santo.
Ainda pior que o Papai Noel é transformar Natal em Carnaval com músicas profanas, bebedeiras e comedorias.
Não desprezemos Aquele que por nós morreu na Cruz. Miguel Carqueija
Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2021.
Muito obrigada, Miguel!!
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