quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Fim do "Maior Sorriso da Esperança" - Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns morre aos 95 anos...


Dom Paulo Evaristo Arns morre em São Paulo aos 95 anos

Morte de Dom Paulo comove e revela admiração de autoridades e anônimos

‘Era como um pai acompanhando uma juventude desamparada na época’.
‘Ele resgatou a dignidade do povo da periferia, foi o cardeal dos operários’.

Arcebispo emérito estava internado com broncopneumonia desde 28 de novembro. Com 50 anos de bispado, teve atuação importante no combate à repressão na ditadura militar.


O sepultamento de Dom Paulo está previsto para a sexta-feira (16) à tarde. Muitas autoridades, entidades e instituições divulgaram nota expressando pesar pela morte de Dom Paulo Evaristo Arns. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também ressaltou que Dom Paulo ajudou a mudar a história do Brasil. Alckmin decretou luto oficial de três dias. O presidente Michel Temer disse que o Brasil perde um defensor da democracia.

Quem passava em frente ao hospital, na Avenida Paulista, lamentava a notícia.

“Uma perda, mas a gente mantém ele no coração”, disse uma senhora.

As pessoas recordavam Dom Paulo Evaristo Arns nos tempos da ditadura.

“Ele era como se fosse um pai acompanhando toda uma juventude que se sentia desamparada na época”, recordou um homem.

Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, também lembrou o cardeal da democracia.

“Ele tinha uma coragem muito grande, ele era determinado, ele ia e enfrentava e não deixava que alguém o barrasse para chegar até lá onde ele queria: ver as pessoas que tinham sido presas, que tinham sido torturadas”.

O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, contou sobre o último gesto, a derradeira prova de fé de Dom Paulo.

“Ele já estava praticamente não mais se comunicando, foi colocada a cruz peitoral dele de bispo, foi colocada na mão dele. Ele pegou firme essa cruz, apertou e não soltou mais até o momento da morte”, disse.

A notícia da morte comoveu desde que foi anunciada no fim da manhã.

“Nossa, bondade, dedicação, uma referência assim de trazer muita paz, muita luz, acredito muito nisso. Que ele descanse em paz”, disse a professora Elenice Andrigueto.

Tinha um grande coração e ainda corintiano fez questão de dizer o publicitário Washington Olivetto. 

“Todo grande corintiano se acha maior como corintiano do que qualquer outra coisa, é uma característica nossa, mas sem dúvida nenhuma Dom Paulo era um grande homem público, era um intelectual, era um ideólogo da liberdade e uma figura que marcou a história do Brasil incrivelmente”.

O jornalista Ricardo Carvalho, biógrafo de Dom Paulo, está fazendo um documentário sobre ele:

“Eu mostro o cardeal da periferia, o trabalho estupendo que ele fez de resgatar a dignidade do povo da periferia, o cardeal dos operários. Ele é um exemplo no mundo todo”.

Um exemplo e uma inspiração para quem, com ele, defendeu presos políticos.

“Ele nos inspirou, ele nos deu coragem, ele nos deu força para que nós assumíssemos as nossas posições, nós, defensores dos direitos humanos. Ele foi realmente o cardeal da coragem”, ressaltou José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça.

Para o filho de Vladimir Herzog, assassinado nos porões da ditadura, a coragem de Dom Paulo foi um marco na redemocratização do país, um exemplo para o futuro.

“Deixa um legado único, um conjunto de valores que, espero, inspire a sociedade de alguma maneira”, disse Ivo Herzog.

Dom Paulo já estava frágil em outubro quando recebeu na PUC uma homenagem de aniversário, mas era ali um gigante de 95 anos.

Nesta quarta-feira (14) a comunidade israelita mostrou o tamanho da admiração que ele conquistou. Escreveu em nota que "Dom Paulo foi um dos grandes ícones do diálogo inter-religioso, defensor da democracia e da liberdade de expressão".

Depois das homenagens e despedidas, Dom Paulo Evaristo Arns será sepultado na cripta da Sé que fica embaixo do altar principal da catedral, no centro da cidade. Lá estão outros 17 religiosos e personalidades da história como o cacique Tibiriçá, líder da aldeia que deu origem a São Paulo. Dom Paulo vai ocupar uma câmara e estará para sempre nesse que é o coração da cidade.

Uma cidade e um país que hoje ficaram mais tristes, como escreveram os reitores da PUC:

"A esperança perdeu o seu maior sorriso".

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Geraldo Alckmin
(Informações do G1.com)






Biografia
(Do Klick Educação)

Vinte e oito anos à frente da segunda maior comunidade católica do mundo, a Arquidiocese de São Paulo, com cerca de 7,8 milhões de fiéis, perdendo apenas para a da Cidade do México, dom Paulo Evaristo Arns foi uma das mais expressivas lideranças religiosas do Brasil. Logo que assumiu o cargo de arcebispo da cidade, em 1970, vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de doláres e empregou o dinheiro na construção de 1.200 centros comunitários na periferia. Impressionou o país e o mundo pelas suas atividades em defesa dos direitos humanos durante o período da ditadura militar, quando combateu a intransigência do regime militar e agiu em favor das vítimas da repressão. Defendeu também os líderes sindicais nas greves, apoiou a campanha contra o desemprego e o movimento pelas eleições diretas. Sua luta em defesa dos direitos dos pobres e pelo fim da desigualdade social lhe valeu dezenas de prêmios no mundo: título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda; prêmio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (1985), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros. Filho de pequenos agricultores, nasceu em Forquilhinha, interior de Santa Satarina, e ordenou-se padre em 1945. Religioso com formação erudita e ligado ao setor progressista da Igreja, doutorou-se com o mais alto grau acadêmico, três "honorable", em Letras pela Universidade de Sorbonne, em Paris, na França, com a tese A Técnica do Livro de São Jerônimo, em 1952. De volta a Petrópolis, trabalhou como professor de Teologia, como jornalista e como vigário nos subúrbios da cidade. Foi promovido à condição de bispo em 1966. Quatro anos depois, o papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de São Paulo, e, em 1973, cardeal. Pediu demissão do cargo de cardeal-arcebispo em 1998, como determinam as normas da Igreja. Incentivando a integração entre padres, religiosos e leigos, criou 43 paróquias e apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas periferias da metrópole.
(UOL)

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