Polícia suspeita que pai matou mulher e 2 filhos no Rio


Polícia acredita que engenheiro tenha esfaqueado a mulher enquanto ela dormia e golpeado os filhos ainda no quarto com uma marreta


Tragédia Barra Da Tijuca

Quatro pessoas de uma família foram encontradas mortas por volta das 7h desta segunda-feira, (29), no Edifício Lagoa Azul, que fica no Condomínio Pedra de Itaúna, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio (Severino Silva/Agência o Dia/Estadão Conteúdo)

Quatro pessoas de uma mesma família morreram nesta manhã em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca. As evidências iniciais encontradas pela polícia apontam que o engenheiro Nabor Coutinho de Oliveira Júnior, de 43 anos, assassinou a facadas sua mulher, Laís Khouri, 48, matou os dois filhos Henrique, 10, e Arthur, 6, e se suicidou em seguida. O crime aconteceu por volta das 6h30 da manhã. De acordo com as condições do local do crime, a polícia acredita que o engenheiro teria esfaqueado a mulher enquanto ela dormia e atirado os filhos pela varanda do apartamento no 18º andar do edifício. Ele teria saltado, em seguida, do mesmo local.
Durante as investigações no imóvel, a polícia encontrou uma carta que acredita ter sido escrita por Oliveira. O texto, que ainda vai ser submetido a exames grafotécnicos, enumera uma sucessão de referências a problemas de cunho pessoal e profissionais. No item de número seis do manuscrito divulgado pelo jornal O Globo está escrito: “Me preocupa muito deixar minha família na mão. Sempre coloquei eles à frente de tudo e até nessa decisão arriscada para ganhar mais. Mas está claro para mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante. Não vamos ter mais nada e não vou ter como sustentar a família. E da forma como tudo ocorreu sei que meu nome vai ficar queimado nesse mercado (…). Não vou ter aonde trabalhar”.
Crime na Barra da Tijuca
Os corpos do empresário Nabor Coutinho de Oliveira Junior, dos filhos Henrique e Arthur e da esposa Lais Khouri foram encontrados no Condomínio Pedra de Itaúna, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (Reprodução/Facebook)
No item seguinte, prossegue: “Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão. Mas melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos”. No oitavo quesito, o autor arrola suspeitas de que poderia perder o trabalho: “Nos últimos dias passei a ser menos envolvido ou copiado nos e-mails dos projetos que estão rolando. Pode ser cisma minha, mas parece já um sinal de que não me querem mais lá”. E prossegue no item seguinte: “Ainda não conseguimos contratar o novo plano de saúde porque estava aguardando a criação do CNPJ. Agora que saiu, está com a (empresa) para avaliar preço. Com o histórico médico da Laís e do Arthur será que aprovam? Será que não vai ficar super caro?”. O trecho divulgado da carta finaliza com o item dez: “Esse contrato que assinei com eles é completamente desproporcional.”
Por toda a manhã e o início da tarde, policiais da delegacia de homicídios coletaram provas materiais no local do crime, o condomínio Pedra de Itaúna. Além de investigarem o apartamento, periciaram o local em que os Oliveira e os filhos caíram, junto à piscina. A família residia em uma unidade do edifício Lagoa Azul. O casal era de Minas Gerais (ele nasceu em Contagem e ela em Formiga) e vivia no Rio desde 2005. Desde então, moravam no mesmo condomínio. No fim da tarde, a polícia ainda aguardava a chegada de um irmão de Oliveira, proveniente de Minas Gerais, que veio ao Rio para tratar da liberação dos corpos no IML. Antes de conversar com o irmão do engenheiro morto, o delegado titular da Divisão de Homicídios, Fabio Cardoso, ouviu alguns familiares de Nabor e de sua mulher que estavam na cidade. Ele não tinha histórico de problemas psiquiátricos.
No local do crime, os policiais apreenderam facas, a carta, celulares e uma marreta que, no entanto, parecia limpa de sinais de sangue. Os policiais ainda investigam se Oliveira bateu com a ferramenta nos filhos antes de atira-los da varanda. Pela cena encontrada no local, Nabor hesitou antes de matar a mulher – os peritos puderem perceber pelas marcas no pescoço da vítima que Laís não reagiu. Os peritos ainda apuram se as marcas de sangue encontradas pelo apartamento estão ligadas ao assassinato da mulher e a possíveis ferimentos nos filhos. A diferença calculada entre a queda de um filho e o outro foi de 13 segundos. Depois, Oliveira demorou mais um minuto e 18 segundos para pular. Os policiais solicitaram exames toxicológicos nos cadáveres para verificar se a mulher e os filhos foram dopados.
Segundo informações de seu perfil na rede social Linkedin, Oliveira era formado em engenharia de software pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e até junho trabalhou na TIM, onde ocupava o cargo de gerente de marketing sênior da área de serviços de inovação, posto para qual havia sido promovido em junho de 2015. Segundo as informações do perfil, ele começou na empresa em 1998, na filial de Belo Horizonte. Há dois meses, ele deixou da companhia para assumir o posto de executivo-chefe de uma empresa americana chamada Datami, especializada em desenvolvimento de soluções para estratégias de marketing por telefonia móvel. Sua tarefa era instalar o escritório da empresa no país e daqui conduzir toda a operação para a América Latina. De acordo com colegas, no novo emprego, Oliveira passou a se reportar aos sócios da nova companhia nos Estados Unidos, para onde havia viajado recentemente. Na semana passada, ele se queixou a amigos da TIM que estava arrependido de ter deixado a multinacional italiana.
Formada em Comunicação e Propaganda pela mesma universidade em que o marido estudou, Laís também trabalhou da TIM entre 1998 e 2011. Depois, passou pela filial carioca da siderúrgica alemã Thyssen-Krupp e pelo estaleiro Eisa, de onde saiu em maio de 2013. Segundo colegas ouvidos por VEJA, ela sofria de esclerose múltipla e fazia tratamento contra a doença havia vários anos. Desde que saiu do estaleiro, ela se dedicava a cuidar dos meninos, que estudavam em uma unidade da Escola Parque, uma das mais prestigiadas do Rio, vizinha ao condomínio. Uma vizinha da família que não quis se identificar recordou que costumava ver com frequência Oliveira com os meninos nas áreas comuns, como a piscina, o playground e o barco que cruza a lagoa que separa os prédios da praia. “Ele era bastante reservado mas muito tranquilo”, recorda ela.
Na sede da TIM, no Rio, onde o casal era bastante conhecido, o clima era de profunda consternação. “Nabor pediu demissão porque teve uma proposta salarial melhor. Fizemos uma despedida e ele até chorou quando foi embora”, recorda uma colega que pediu anonimato. “Ele era muito tranquilo, trazia as crianças para o escritório, conhecíamos toda a família e estamos em choque”. Segundo familiares ouvidos pela polícia, não havia indícios que Oliveira estivesse em dificuldades financeiras.
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