quinta-feira, 28 de janeiro de 2016


  • Mesmo com o frio, a marcha dos refugiados prossegue
  • Mesmo com o frio, a marcha dos refugiados prossegue
Atualmente em seu último ano de mandato, o presidente Barack Obama está no "modo de legado". Ele tem muito para se orgulhar. Mas, se ele não quiser que suas realizações sejam enlameadas pela política externa, ele deve redobrar seus esforços neste ano para conter a crise de refugiados do Oriente Médio, antes que deixe de ser um problema humanitário gigantesco e se torne um problema geoestratégico gigantesco, que destrói o aliado mais importante dos EUA: a União Europeia.

Eu sei que colocar a "União Europeia" como tema principal de uma coluna publicada nos EUA é o mesmo que colocar um aviso de "Não leia". Talvez eu devesse chamá-la de "A União Europeia de Trump", seria mais viral. Mas, para os dois leitores que chegaram até aqui, o assunto é muito importante.

Os colapsos da Síria, da Somália, da Eritreia, do Mali, dp Chade e do Iêmen e as derrubadas da Líbia, do Iraque e do Afeganistão -sem o acompanhamento adequado de nossa parte, por parte da Otan ou das elites locais- geraram a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Essa onda de migrantes e refugiados é uma tragédia humana, e o fluxo que sai da Síria e da Líbia, em particular, está desestabilizando todos os pontos vizinhos de decência: Tunísia, Jordânia, Líbano, Turquia e Curdistão. E agora também está corroendo o tecido da UE.

Por que os americanos devem se preocupar? Porque a União Europeia é os Estados Unidos da Europa, ou seja, o outro grande centro do mundo da democracia e da oportunidade econômica. Ela tem suas deficiências militares, mas, com sua riqueza e valores liberais, a UE tornou-se a principal parceira dos Estados Unidos no combate às alterações climáticas, na gestão do Irã e da Rússia e na contenção de distúrbios no Oriente Médio e na África.

Esta parceria amplia o poder americano e, se a UE estiver mancando ou quebrada, os Estados Unidos terão de fazer muito mais ao redor do mundo e com muito menos ajuda.

Em um seminário em Davos, Suíça, patrocinado pelo Centro de Wilson, entrevistei David Miliband, presidente do Comitê Internacional de Resgate, que supervisiona as operações de socorro em mais de 30 países afetados pela guerra. Ele falou de vários pontos cruciais.

Em primeiro lugar, uma em cada 122 pessoas no planeta hoje está "fugindo de um conflito", numa altura em que as guerras entre nações "estão em uma baixa recorde", disse Miliband, ex-secretário de Relações Exteriores britânico. Por quê? Porque temos quase 30 guerras civis em curso em Estados fracos, que são "incapazes de satisfazer as necessidades básicas dos cidadãos ou conter a guerra civil".

Em segundo lugar, disse ele, no ano passado, o comitê de resgate auxiliou 23 milhões de refugiados e pessoas deslocadas internamente. Cerca de 50% dos que vão para a Europa saem diretamente da Síria e a maior parte do resto vem do Iraque, Afeganistão, Somália e Eritreia. Enquanto isso, o sistema internacional de ajuda humanitária "está sendo superado pelos números".

No ano passado, dentro do bloco da UE, houve 56 milhões de travessias de caminhões entre os países e, todos os dias, 1,7 milhão de travessias de pessoas. A manutenção da livre circulação de caminhões, do comércio e das pessoas é um...

leia a matéria completa: 
http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/thomas-friedman/2016/01/28/deixar-a-tragedia-dos-refugiados-quebrar-a-ue-saira-muito-caro.htm

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