Papa Francisco é recebido por Evo Morales ao chegar na Bolívia

Líderes participam de cerimônia em aeroporto perto de La Paz.
Papa viaja pela América do Sul; próximo destino é o Paraguai.





O Papa Francisco chegou nesta quarta-feira (8) no aeroporto de El Alto, vizinho da cidade de La Paz, na Bolívia, onde foi recebido pelo presidente Evo Morales. Francisco abraçou o presidente, que lhe entregou uma pequena bolsa andina que é conhecida como "chuspa", usada para carregar folhas de coca, entre outras coisas.


Os líderes participaram de uma cerimônia no aeroporto. Depois, devem seguir para o palácio presidencial. Por razões de saúde, Francisco, de 78 anos, que perdeu parte de um pulmão quando era jovem devido a uma doença, ficará em La Paz, que está 3.650 metros acima do nível do mar, por apenas cerca de quatro horas e seguirá, então, para Santa Cruz.

No avião, ele tomou um chá de folhas de coca, flor de camomila e sementes de anis para amenizar os efeitos da altitude na chegada ao aeroporto internacional mais elevado do mundo, segundo reporta a agência Reuters.

O Papa Francisco acena ao lado do presidente da Bolívia, Evo Morales, e do vice-presidente, Álvaro Garcia Linera, no aeroporto de El Alto, na quarta (8) (Foto: AFP Photo/Cris Bouroncle)O Papa Francisco acena ao lado do presidente da Bolívia, Evo Morales, e do vice-presidente, Álvaro Garcia Linera, no aeroporto de El Alto, na quarta (8) (Foto: AFP Photo/Cris Bouroncle)


A coca é o principal ingrediente da cocaína, mas há séculos as pessoas da região andina mastigam folhas de coca ou tomam chá de coca devido às suas propriedades medicinais.

Uma aeromoça disse à Reuters que o Papa tomou uma mistura chamada "Trimate", com os três ingredientes. O chá também foi oferecido a jornalistas no voo.


Um ministro boliviano disse há 10 dias que Francisco havia dito a autoridades do governo que gostaria de mastigar folhas de coca quando estivesse no país. Um porta-voz do Vaticano afirmou, no entanto, que a decisão caberá ao pontífice argentino.

Francisco voou para a Bolívia a partir do Equador, onde chegou no último domingo (5). A viagem do pontífice pela America do Sul inclui ainda uma visita ao Paraguai. O Papa não parecia ter qualquer dificuldade quando saiu do avião e enquanto lia seu discurso de boas-vindas.


Diálogo e inclusão
Em sua chegada, Francisco reconheceu "os passos importantes" do governo de Evo Morales em matéria de "diálogo" e "inclusão" na vida econômica e social do país, e garantiu a atuação da Igreja na defesa de ambos.

"A Bolívia está dando passos importantes para incluir amplos setores na vida econômica, social e política do país, e suas leis reconhecem os direitos das minorias", declarou o pontífice em seu encontro com Morales.


Diversos bolivianos se concentraram na Praça de Murillo para receber o Papa, em sua primeira visita ao país.

Francisco percorreu uma rua estreita calçada com tijolos de sal do boliviano Salar de Uyuni - o maior deserto de sal do mundo - enfeitada com a flor da quinua. Em seguida, divulgou uma mensagem de um altar que é uma réplica da Igreja de Laja, onde La Paz foi fundada em 1548.
Segundo o Papa, "o progresso integral de um povo" deveria transcorrer "sem excluir nem rejeitar ninguém", no momento em que setores da oposição local denunciam serem perseguidos pelo governo Morales.
Em sua breve mensagem aos bolivianos, Francisco destacou o "crescimento dos valores nas pessoas", explicando que, "se o crescimento for apenas material, sempre se corre o risco de que a abundância de uns se construa sobre a escassez de outros".
Francisco criticou a política que se guia pela "especulação financeira", assim como a economia regida pelo paradigma da "produção máxima", alegando que não resolvem os problemas sociais.
"Se a política se deixar dominar pela especulação financeira, ou a economia, ser regida unicamente pelo paradigma tecnocrático e utilitarista da produção máxima, não poderão sequer compreender - e, menos ainda, resolver, os grandes problemas que afetam a humanidade", declarou Francisco em um discurso na Catedral de La Paz.
Na sexta-feira, continuando sua prática de visitar prisões desde que era arcebispo em Buenos Aires, o Papa Francisco entrará na prisão de segurança máxima Palmasola, que ocupa 34 hectares na cidade mais povoada da Bolívia, Santa Cruz.
Acesso ao mar

Depois, em um discurso na catedral da capital boliviana, Francisco defendeu um "diálogo franco e aberto" para "evitar conflitos com os países irmãos". Então, permaneceu em silêncio por alguns instantes para afirmar: "Estou pensando no mar. Diálogo, diálogo é necessário".

Sem citar explicitamente o Chile, o papa se introduziu com diplomacia e discrição no conflito entre os dois países, que sempre pediram sua opinião sobre o assunto.
A disputa foi levada pela Bolívia à Corte Internacional de Justiça (CIJ) para que o órgão obrigue o Chile a negociar uma solução para a restituição da saída ao Pacífico perdida pelos bolivianos em uma guerra em 1879.
Francisco deu sequência ao discurso afirmando que todos os problemas, por mais espinhosos que sejam, "têm soluções compartilhadas, razoáveis, equitativas e duradouras".
E desejou que, em todo caso, nunca sejam "motivo de agressividade, rancor ou inimizade, que agravam mais a situação e deixam mais difícil a resolução".
"A Bolívia passa por um momento histórico: a política, o mundo da cultura, as religiões são parte desse formoso desafio da unidade", prosseguiu o pontífice.
Papa chega à Bolívia encontro com Evo Morales (Foto: Reuters)Papa chega à Bolívia encontro com Evo Morales (Foto: Reuters)
Papa e Morales se abraçam na chegada do pontífice à Bolívia (Foto: Reprodução/Twitter/Canal_BoliviaTV)Papa e Morales se abraçam na chegada do pontífice à Bolívia (Foto: Reprodução/Twitter/Canal_BoliviaTV)
Crianças vestindo roupas típicas esperam o Papa Francisco na Praça Murillo, em La Paz (Foto: AP Photo/Freddy Barragan)Crianças vestindo roupas típicas esperam o Papa Francisco na Praça Murillo, em La Paz (Foto: AP Photo/Freddy Barragan)
Bolivianos tiram selfie ao esperar pelo Papa Francisco na Plaza Murillo em La Paz (Foto: AP Photo/Freddy Barragan)Bolivianos tiram selfie ao esperar pelo Papa Francisco na Plaza Murillo em La Paz (Foto: AP Photo/Freddy Barragan)
tópicos:

Comentários