quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Fantástico este Artigo sobre "Partograma"...

VOCÊ SABE O QUE É PARTOGRAMA?

Minha colega Rosana Leite, Defensora Pública, escreveu o artigo abaixo, o qual recomendo a leitura por ser bastante esclarecedor:


Após muita discussão sobre a banalização do parto cesariana, e para diagnosticar sobre os riscos na escolha de partos agendados, a ANS anunciou no dia 06 de janeiro do corrente ano, a obrigatoriedade do preenchimento do partograma em redes privadas, o que já era obrigatório na rede pública. Entrará em vigor 180 dias após a respectiva notícia, e a gestante passa a ter direito, também, de ser informada pelo menos quinze dias antes do provável parto, sobre os índices de partos normais e cesáreas no serviço hospitalar que ela pretende utilizar, bem como, os riscos de cada qual.

Idealizado pela OMS em 1992, tornou-se obrigatório nas maternidades da rede pública a partir de 1994. Entretanto, apesar da obrigatoriedade, muitos hospitais deixam de preencher se desculpando na urgência de procedimentos médicos. A adoção do partograma pelo Ministério da Saúde tem a principal finalidade de forçar os médicos e médicas a esperarem o início do parto. Inclusive, as operadoras só poderão efetuar o pagamento dos procedimentos realizados com a apresentação do documento. Além, é óbvio, de garantir que os bebês não nasçam prematuros.

Sabemos que apenas a conscientização não está surtindo o efeito desejado para que as mulheres e/ou casais optem pela realização do parto normal, ou, ainda, esperem pelo sinal da criança de quando deseja "vir ao mundo". Há, na verdade, uma facilidade para os profissionais em agendamento dos partos, que trabalham com sobrecarga de horas, ficando mais tranquilo marcar, mais ou menos, qual seria a data que o feto estaria "maduro". É o homem querendo se sobrepor aos desígnios divinos e da natureza!

O partograma é a representação em gráficos dos valores e eventos relacionados ao trabalho de parto. Os médicos devem incluir estatísticas como a dilatação cervical, frequência cardíaca, duração do parto e sinais vitais. Ele detecta com facilidade os possíveis desvios da normalidade, podendo corrigi-los a tempo.

Pensando na prática, para a mulher que optou pelo parto normal, por exemplo, nunca se sabe o horário do nascimento. Porém, desde os primeiros sintomas de contrações, à evolução de minuto a minuto, é possível vislumbrar como será a realização do parto normal, se não está havendo sofrimento fetal etc. Ainda, sabendo que esse momento é de absoluta ansiedade, em sendo acompanhada a evolução, na troca de plantão dos profissionais, bastará olhar o gráfico para saber a situação da parturiente. 

Ademais, a mulher que se encontra em trabalho de parto ficará mais segura para a realização do parto normal, em sabendo que está sendo monitorada, ficando claro que qualquer anormalidade será diagnosticada em tempo oportuno. Os países que adotaram como regra a confecção do partograma, reduziram de forma significativa trabalhos de parto com duração superior a 18 horas, e o índice de cesarianas em mulheres sem aparentes complicações foram reduzidas de 5.2 para 3.7 por cento, mostrando evolução nessa escolha.

A medida faz parte de um pacote para estimular o parir normal, reduzindo as cesarianas desnecessárias, fruto de consumo no país. É uma tentativa de se combater a epidemia de cesárias no Brasil. As mulheres que possuem planos de saúde optam pela cesárea em 80% dos nascimentos. Já na rede pública, esse percentual é de 40%, ficando no total com 55,6% de partos cesáreas. O procedimento cirúrgico sem a indicação médica aumenta em 120 vezes os riscos de problemas respiratórios para o recém-nascido, triplicando o risco de morte da mãe. 

É do ser humano a cultura de não querer sentir dor. Porém, a dor de parir é necessária, pois, com ela vem a dilatação para que a criança seja expelida com naturalidade, deixando evidente o amadurecimento fetal. O ministro da Saúde foi enfático: "Parto não é evento que se marque. Normal é o parto normal."

Rosana Leite Antunes de Barros é Defensora Pública Estadual, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso, e escreve às segundas para o Jornal A Gazeta.
Do Blog: Tânia Defensora
Muito grata por compartilhar!


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