Obrigada por nos contar mais um conto, JR Viviani!





Um rapaz com seus dezessete pra dezoito que na sua infância, exatamente por ser um menino bonzinho, obediente, além de bonito, as pessoas para agradá-lo quando a ele se referiam chamavam-no carinhosamente por “Carlinhos”, apelido que acabou ganhando com o diminutivo do seu nome, acostumando todos que o conheciam a assim chamá-lo. 
Carlinhos não era somente um jovem bonito, alto e forte, de pele clara, cabelos pretos ondulados, face singela e de expressão franca, era acima de tudo, atraente às mulheres pela forma comedida e cuidadosa de conduzir suas amizades e falar pra esse e pra àquele sobre os seus relacionamentos, em outras palavras, era um jovem reservado que sabia e fazia questão de manter absoluto segredo e sigilo sobre os seus relacionamentos...
Como não podia deixar de ser, Carlinhos tinha as suas “namoradinhas” aqui e ali; por uns tempos tinha uma, por outros tinha outra e assim ia...
Claro que ele, mesmo namorando por pouco tempo essa ou aquela, não negava ter simpatia por elas, por umas mais e por outras menos, mas sempre tinha, já que a escolha das suas namoradas era como se fossem feitas a dedo – digamos assim; ele era muito exigente quanto a isso e só namorava quem lhe atraísse de fato.
Inegavelmente, Carlinhos tinha muitas “namoradinhas”, sem dúvida, entretanto, nem ele sabia o porquê, talvez Freud explicasse – como ele mesmo achava, sentia forte atração por mulher mais velha. Se sentia atração descomunal por mulher mais velha, por mulher casada então nem se fale, até tremia quando via uma mais bonita que o normal. Talvez fosse a experiência que estas demonstravam ter com olhares que induziam lascívia ou coisa assim.
O fato que ele sentia frenesi indescritível na presença de mulher mais velha, sendo levado a quimeras libidinosas forradas de luxuria por vezes incontroláveis.
Certo dia, quando ele retornava do trabalho indo pra sua casa, não era seu costume, mas acabou mudando o trajeto e caminhava por um quarteirão onde haviam casas geminadas dos dois lados da rua, – dessas com entrada lateral por um portão e as venezianas das janelas dos quartos dando pra calçada. 
De repente, quando caminhava, sem a mínima intenção ou razão, ao passar defronte a uma dessas, acabou olhando pelo portão e viu no corredor da casa uma mulher; uma bela e atraente mulher por sinal, usando vestido justo de tecido florido que realçava o seu corpo escultural deixando evidente sua graciosidade e formosura exuberante. A mulher era atraente a ponto de lhe dar comichão para saber quem era ela, mas, desencorajado para tal, seguiu em frente e nem pensar de olhar pra trás...
No dia seguinte, aguçado pelo ocorrido no dia anterior, ele procurou fazer a mesma coisa e no mesmo horário: passou defronte da casa com o firme e único propósito de vê-la e nem pensar de não.
Caminhando pela calçada da rua da mulher, a certa distância, ele pôde vê-la no portão da casa; com isso, já sentiu arrepios correndo pelo corpo que aumentaram em profusão quando ao passar por ela, viu os seus olhares e seus sorrisos...
O silêncio insinuante dos olhares e os sorrisos maliciosos da mulher lhe deram até frio na barriga – sentindo as pernas ficarem moles. Mas, nem pensar em parar, - seguiu em frente..., carregando uma sensação estranha e sorrindo a cada passo, – sorrisos de prazer mesclados por dúvidas.
“Falo ou não falo com essa mulher?”
Pensava e se sentindo desencorajado, parava de pensar, entretanto, de tão atraído, voltava.
“Falar?... Nem pensar... O marido, se souber, me come vivo!”
E assim as coisas seguiram. Um dia via os sorrisos dela, em outro sentia falta por não vê-la e ia tocando...
Até que num daqueles dias, no intervalo de almoço, ele resolveu fazer companhia a um colega de trabalho que ia ao centro da cidade comprar algo – nem sabia direito o que, mas foi acompanhando o rapaz despretensiosamente.
Caminhavam juntos, sob sol forte, por ruas tranquilas com pouco movimento, quando, de repente, ao virarem uma esquina, ele viu, na mesma calçada, a mulher vindo no sentido contrário e que iam, fatalmente, se cruzarem. Sentiu até engasgo só em pensar que iam se cruzar; sentiu e foi o que aconteceu. A mulher passou por ele lhe pondo sorrisos desmedidos e insinuantes a ponto de deixar o rapaz admirado e falar pra ele:
 Carlinhos..., como essa mulher te olhou?... É tua amiga?...
Tentando disfarçar, ele respondeu:
 Que amiga?... Tá louco?
 Ah, deixa de coisa! Fala pra mim, vai! – insistiu o colega.
 Falar o quê?...
 Você sabe do que falo. Abre o jogo! Já teve caso com ela, não teve?
Carlinhos até se assustou, exclamando:
 Que é isso?... Não está vendo que é uma senhora casada?
O colega riu-se.
 Senhora casada, né? Senhora casada que te sorri daquele jeito? Tá querendo o quê? Tapar o sol com a peneira ou acha que sou burro.
Carlinhos riu-se e disse:
 Ah, vai, meu!... Nem pensar..., deixa isso pra lá!
Depois do ocorrido e da conversa com o colega, mesmo ele dizendo pra deixar a coisa pra lá e nem pensar, ele mesmo não conseguia, ficou tão aguçado pelo desejo de falar com ela e quem sabe conhecê-la, que a toda hora, a todo instante, estava pensando na mulher, – não a tirava da cabeça.
Até que finalmente um dia, ao passar e vê-la no portão dando a nítida impressão de esperá-lo, ele resolveu arriscar e parou vendo os sorrisos encantadores dela; sorrisos que se tornaram ainda mais encantadores quando ela, lhe deixando embasbacado, sem dizer absolutamente nada, abriu o portão induzindo para que ele entrasse e, logo em seguida, abriu a porta sala. 
Sentindo como se o coração fosse sair pela boca e calafrios arrepiando por toda parte, naquele momento e por muitos outros mais, Carlinhos não quis nem pensar...
* * *
JR Viviani
(Blog: Vendedor de Ilusão)

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