domingo, 7 de dezembro de 2014

Mulher contraria prognóstico e tem filha após ter 43% do corpo queimado

Um "acidente" que aconteceu por causa de um frustrado e doentio namoro me deixou com 43% do corpo queimado em abril de 2012.
As queimaduras foram provocadas após álcool ter sido jogado no meu corpo. Não gosto de falar sobre isso, pois nunca denunciei o caso.
Fiquei três meses internada, dois deles entubada na UTI, com transfusões de sangue, cirurgias e parada cardiorrespiratória.
Ainda tive que ouvir frases do tipo "quem vai te querer assim?" e "você não serve para mais nada".
Adriano Vizoni/Folhapress
Karolaine Souza, 21, com a filha Mariana, que nasceu em agosto
Karolaine Souza, 21, com a filha Mariana, que nasceu em agosto
Tive depressão, fiquei meses sem andar e um ano sem mexer o braço direito. Fiquei careca, perdi 15 quilos, passei por cirurgias, enxertos. Aprendi a aceitar as cicatrizes. Às vezes, até esqueço delas.
Ainda no hospital, foi muito difícil ouvir dos médicos que eu nunca poderia engravidar. Minha pele não tinha elasticidade e, devido à quantidade de medicamentos que tomo, jamais poderia ter um bebê. Já estava conformada que só seria mãe adotando.
Comecei a namorar novamente um outro rapaz e, um ano e oito meses após o meu acidente, passei a sentir enjoos e indisposição. Imaginava que era por causa das queimaduras e do tratamento, mas, mesmo assim, resolvi fazer um teste de gravidez.
Fiz o exame de sangue e descobri que estava grávida de quase quatro meses. Na semana seguinte, um ultrassom revelou que eu esperava a Mariana. Ouvi dos médicos que daquele mês ela não passaria. Passou.
Tive crises de cólicas renais quase insuportáveis, falta de ar, e cheguei a desmaiar algumas vezes. Meu bebê não respondeu a alguns estímulos. Todos se desesperaram, mas, apesar de eu estar preocupada, sempre demonstrei calma.
Por causa da falta de elasticidade na pele, os movimentos da Mariana me davam a sensação de que eu estava sendo rasgada.
Suspirava, chorava escondida de tanta dor. Em meio aquele sofrimento, porém, vinha uma onda de alegria, de ver que ela estava bem e me dando forças para seguir.
Quando estava no sexto mês, os médicos consideravam um milagre a gravidez ter chegado até ali. Todos achavam que ela nasceria prematura. Fiz o enxoval, todo mundo estava apreensivo.
Os médicos queriam fazer cesárea, mas recusei. Aguentei dores, feridas na pele, e cheguei ao oitavo mês. Os médicos viram, porém, que o bebê não tinha o peso ideal para a idade gestacional.
Milagrosamente, o peso dela dobrou em uma semana e meia, mas um novo ultrassom mostrou que ela estava sentada. E minha pele só piorava.
Mas não acabou por aí. Minha pressão subiu muito e entrei em pânico, pois sabia dos riscos que eu e ela corríamos.
Me acalmei, descansei e diminui o ritmo. Foi aí que a Mariana nasceu -lindamente- com 37 semanas e meia, no dia 28 de agosto deste ano.
Meu parto foi normal, sem sofrimento, com carinho e respeito, pelas mãos de uma parteira em um hospital municipal. Minha filha nasceu saudável, com quase três quilos.
Apesar de ser arriscado, quero ser mãe de novo. Superei o que aconteceu comigo e passei a ver a vida de outra forma. Dar valor às coisas que realmente merecem valor, como família, amigos e sonhos.
Minha filha chegou para completar esse ciclo, esse meu renascimento, e me mostrar o amor de verdade. Sou grata a Deus por tudo, até pelas dores. Foram elas que abriram meus olhos para a vida.
Foi através dessas dores que reconheci os verdadeiros amigos e que tive a sorte de conhecer uma pessoa maravilhosa, companheira, compreensiva, amável, que aceita como sou sem olhar para cicatrizes ou para o passado. 
UOL

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