Polícia reprime manifestação no Rio

Cerca de 400 manifestantes foram cercados pela PM próximo ao estádio do Maracanã; pelo menos 11 jornalistas foram atacados por policiais quando registravam as agressões

Polícia reprime manifestação no Rio
RIO - Centenas de policiais reprimiram com violência, na tarde deste domingo, cerca de 400 manifestantes, que tentaram realizar ato nas imediações da Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte do Rio, a cerca de 2 quilômetros do estádio do Maracanã, onde foi realizada a partida final da Copa do Mundo entre Alemanha e Argentina. Pelo menos 11 jornalistas foram atacados por PMs quando registravam as agressões. 
Vinte minutos após os manifestantes iniciarem caminhada pela Avenida Conde de Bonfim, policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra um grupo que correu na direção de uma rua transversal, que poderia dar acesso ao estádio. Manifestantes estavam completamente cercados por policiais do Choque e da Cavalaria, que formavam barreiras em toda a região, desde o fim da manhã. 
Com a ação da PM, o grupo tentou se dispersar, mas manifestantes foram perseguidos na praça e até mesmo dentro da estação de metrô da Saens Peña, que em seguida foi fechada. A Cavalaria partiu para cima de manifestantes e perto dali uma mulher corria desesperada, com a filha no colo, pedindo abrigo. Manifestantes foram agredidos com golpes de cassetetes e obrigados a sentar no chão, inclusive uma senhora. 
A principal ação dos PMs contra jornalistas ocorreu por volta das 17 horas, quando eles registravam a detenção de uma jovem, que foi derrubada e arrastada por PMs. Houve uma aglomeração de manifestantes quando ela já estava dentro da viatura. Eles protestavam contra a prisão, gritando: “Ditadura! Não adianta me reprimir, esse governo vai cair!” PMs lançaram bombas e começaram a perseguir ativistas. Um grupo correu para a Rua Carlos Vasconcelos e foi cercado por policiais. Os jornalistas foram atacados diretamente quando registravam as agressões. 
Atingido por golpes de cassetete, o cinegrafista Loloano Silva, do Coletivo Mariachi, sofreu uma fratura no braço e foi levado para o Hospital Souza Aguiar. O canadense Jason O'hara, do site inglês State of Exception, foi derrubado e brutalmente espancado por um grupo de PMs com chutes e golpes de cassetete. Ele ficou ferido na perna e perdeu sua câmera Go Pro. “Vocês roubaram a minha câmera!”, gritava o cinegrafista, enquanto policiais o ironizavam: “Por que você não volta pro Canadá?” O fotógrafo Mauro Pimentel, do site Terra, levou chutes e foi atacado no rosto por um golpe de cassetete - ele estava com uma máscara de gás resistente e não se feriu. “Ela me salvou”, disse Mauro. A máscara e a máquina fotográfica foram danificadas pelos policiais. 
Na Rua Carlos Vasconcelos, o motorista e o fotógrafo do Estado foram abordados por policiais civis. “Viemos apurar uma denúncia de que este carro seria da Mídia Ninja”, disse o policial. Eles fotografaram o documento do veículo e o crachá do fotógrafo. Enviaram as fotos e depois liberaram os dois. "Bem vindo ao Brasil", comentava o cinegrafista canadense. 
Manifestantes foram impedidos de ultrapassar a barreira policial após o fim do ato. PMs cercavam a praça Saes Peña. Como a estação de metrô estava fechada, não havia como deixar o local. Moradores precisavam mostrar comprovante de residência e eram acompanhados por PMs até a porta de casa. "Isso é estado de sítio", gritava um ativista. 
O governador Luiz Fernando Pezão se recusou a comentar as agressões aos jornalistas e manifestantes. A Secretaria de Segurança informou que “as denúncias serão encaminhadas para análise da corregedoria da corporação”.

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