ENTREVISTA NETINHO - LENDA VIVA DO ROCK BRASILEIRO LANÇA BIOGRAFIA

Gente, ontem à noite eu assisti à uma entrevista no Programa "PRAZER EM CONHECER" da REDE VIDA, cujo entrevistado era netinho dos incríveis. confesso que fiquei encantada com sua história de vida, seu jeito simples e com um belo sorriso no rosto durante todo o programa. sua fé em deus e o milagre que alcançou quando há 17 anos teve que de repente se submeter à uma cirurgia para retirar um câncer maligno da laringe, perdeu todas as cordas vocais e parte da laringe. foi desenganado pelos médicos que lhe disseram que ele jamais falaria, mas ele, enfim recuperou a voz e fala bastante. é considerado um miraculoso. recebeu de deus a graça de ter de volta o poder de falar. coisa de deus mesmo! eu me emocionei com suas palavras e sua filosofia de vida, e de muita fé em deus. por isso, achei por bem publicar essa outra entrevista do netinho. penso que as coisas boas devem ser espalhadas, multiplicadas, para que outras pessoas tomem conhecimento. vale à pena conferir!


         

Aparecida Ramos


Netinho conta suas histórias em "Netinho-Minha História Ao Lado das Baquetas"




 
Conexão Vivo Por Agência MN Fabian Chacur
Luiz Franco Thomas nasceu em 5 de abril de 1946, em Santos, mas foi criado na cidade de Itariri (SP). Desde moleque, demonstrava vocação musical, e acabou concentrando esse talento na direção das baquetas. O baterista surgiu a partir do auxílio do avô, responsável pelos recursos financeiros que viabilizaram o primeiro instrumento, o que lhe rendeu o apelido Netinho por parte dos amigos (o “queridinho do vovô”). Desde os anos 60, ele se firmou como um dos melhores músicos de rock do país, especialmente por seu desempenho impecável em duas bandas, Os Incríveis e Casa das Máquinas. Teve sucesso até no exterior, superou sérios problemas de saúde (incluindo um câncer nas cordas vocais), esteve envolvido em um romance com a cantora italiana Rita Pavone, grande ícone do pop mundial nos anos 60..... Mais na ativa do que nunca, ele comemora 63 anos de vida lançando Netinho- Minha História Ao Lado Das Baquetas (editora Minuano Cultural), livro no qual conta saborosas histórias de sua vida, entre os quais uma bem curiosa: Itariri, na linguagem indígena, significa “pedra que rola”. “Sou um rolling stone”, brinca o artista, que deu a Conexão Vivo uma entrevista exclusiva.
CONEXÃO VIVO- Como surgiu a idéia de escrever o livro, e quanto tempo demorou para conseguir concretizá-lo?
NETINHO- Tive de criar primeiro a vontade, ter a força de vontade, e de acreditar que eu poderia fazer essa obra, pois sempre fui um músico, não um escritor. Aí, comecei a buscar no meu armário algumas coisas que tinha escrito já nos tempos do grupo Casa das Máquinas, nos anos 70, pois foi uma época na qual tive de expandir muito as minhas idéias. Minha filha Samadhi, que hoje mora na Austrália, foi quem mais me incentivou. Eu tinha uma pasta com o título “Abobrinhas do Netinho”, e ela me ajudou a pesquisar esse material, criar uma disciplina para fazer isso. Todos os dias eu entrava na internet às 22h, e ela às 9 da manhã lá na Austrália, e fui gostando da idéia. Sempre perguntava a mim mesmo, “será?”, e ela me dizia para contar aquelas histórias, que as pessoas iriam gostar de conhecê-las. Fui lembrando, olhando fotos que havia guardado, e uma coisa chamou a outra. Também pesquisei em Itariri sobre as origens da cidade e da minha família por lá. É um projeto antigo, mas a partir do momento em que eu peguei a sério, mesmo, demorou uns três anos para concretizar o livro.
CONEXÃO VIVO- Sua primeira banda de sucesso foi o The Clevers, que depois de algum tempo virou Os Incríveis, um dos grupos mais populares do rock brasileiro nos anos 60. Para você, qual seriam as razões para que vocês tivessem alcançado tanta popularidade?
NETINHO- Os Incríveis nunca foram uma banda de garagem, eram moleques de 16, 17 anos de idade, mas todos já com boa experiência profissional. Isso nos ajudou, por exemplo, a acompanhar a Rita Pavone, que na época (metade dos anos 60) era uma das cantoras mais conhecidas em todo o mundo. O maestro dela veio até o Brasil e nos testou, vendo como éramos versáteis. A gente fazia baile, que naquela época te exigia tocar de tudo, mambo, rumba, bolero, chorinho, twist, rock, samba, literalmente de tudo. Era preciso saber tocar, ter jogo de cintura, não é como hoje, que o músico só se dedica a um estilo musical. A gente encarava todos os estilos, e no ato. Era uma época muito mais rica, musicalmente, as pessoas estudavam música nas escolas, não ficavam ouvindo bate-estaca o tempo todo.
CONEXÃO VIVO- Mesmo com todo esse sucesso, você e o Manito (saxofonista e multi-instrumentista) acabaram saindo dos Incríveis no ínicio dos anos 70. O que os levou a isso?
NETINHO- Os Incríveis surgiram como uma banda de intérpretes, a gente não compunha. Quando começamos a gravar discos, investimos mais no rock, no twist, no hully gully, e em versões de sucessos internacionais que a gravadora nos trazia, como O Vagabundo, Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones etc. Com o estouro de Eu Te Amo Meu Brasil, no auge da Ditadura Militar, surgiu o clima para a separação da banda, pois a gravadora queria que a gente gravasse outras músicas como aquela. E eu e o Manito já estávamos ouvindo outras coisas, tipo Deep Purple, Led Zeppelin, Yes, um rock muito mais sofisticado, e queríamos fazer algo assim, no Brasil. O som dos Incríveis já não era suficiente para dar vazão à nossa criatividade. Como tínhamos boa situação financeira, vimos que era a hora de arriscar. Ele, em seguida, partiu para a criação do grupo do Som Nosso de Cada Dia.
CONEXÃO VIVO- Aliás, fiquei surpreso ao saber, pelo livro, que você e o Manito brigavam muito, e na base da pancada......
NETINHO- Eu e o Manito éramos muito brigões, era algo que fazia parte da juventude daquela época. Nós éramos invejados por causa do nosso sucesso, que atraía muito as mulheres, e então, os garotos vinham brigar com a gente. No Paraná, por exemplo, sempre saía briga depois dos nossos shows. Eu e ele brigávamos muito entre nós, mas nunca existiu ódio, era coisa de sangue quente, logo a gente voltava a ficar numa boa. Quer saber? Nossos pais eram ainda piores. Uma vez, peguei um táxi em Santos, e conversando com o taxista, descobri que ele havia jogado futebol contra o time do meu pai, de Itariri, e tinha até marcas nas pernas dos chutes que levou do meu pai, que encarava as maiores brigas!(risos).
CONEXÃO VIVO- Recentemente, você fez parte do grupo The Originals, com ex-integrantes de bandas de sucesso surgidas nos anos 60 como The Fevers, Renato e Seus Blue Caps e mesmo Incríveis. Como avalia essa experiência, e porque saiu fora?
NETINHO- Participar do The Originals foi uma das poucas experiências ruins que tive na minha vida como músico. Eles queriam que eu voltasse para trás, que eu regredisse como músico. Não dá para encarar isso, me senti velho, não queria fazer covers de mim mesmo! Quando percebi isso tudo, vi que tinha de sair, e logo. Gravei um CD e DVD com eles e depois preferi me mandar.
CONEXÃO VIVO- Desde os anos 60 especula-se sobre seu romance com a Rita Pavone, e no capítulo do livro dedicado ao tema, você fica em cima do muro, nem diz que o mesmo ocorreu, nem diz que não ocorreu. E aí? (risos)
NETINHO- É difícil você explicar uma relação amorosa que envolve sexo, exposição na mídia etc em uma época muito diferente da que vivemos hoje em dia. Ela era a cantora mais famosa do mundo, tinha seguranças 24 horas por dia ao lado dela, não existiam motéis..... O que aconteceu foi nos sofás, atrás das portas, onde dava. Foi um namoro, um flerte, uma coisa sadia. Mas eu era danado! (risos) As mulheres ficavam nas portas dos hotéis te esperando o tempo todo, naquele tempo. Lembro que os Incríveis não conseguiram fazer o primeiro show em Porto Alegre porque os fãs literalmente cercaram todas as saídas, não conseguimos sair de lá de dentro.........
CONEXÃO VIVO- Como surgiu o Casa das Máquinas, e porque a banda acabou se separando, no auge?
NETINHO- Quando tive a oportunidade de ver o Queen tocando nos EUA, voltei doido para montar um grupo diferente, e aí, em três meses criei o Casa das Máquinas, lá pelos idos de 1973/74. Os Incríveis eram apenas intérpretes, dispostos a gravar de tudo. Já o Casa só gravava coisas compostas por nós, sendo que as letras eram escritas por mim. Revolucionamos o rock brasileiro. Não queríamos só ganhar dinheiro, nossa idéia era criar um som original, e conseguimos, com três LPs gravados em estúdio e um ao vivo. Aí, fui à Europa, acertar uma turnê da banda por lá. Quando voltei, soube de um acidente que ocorreu entre os outros integrantes e um câmera man da tevê Record, lá por 1977. Isso cresceu, cresceu, e levou a um processo contra o grupo que acabou gerando o final de tudo. Acho que isso veio porque não estávamos preparados para o sucesso mundial, não era para ser. Uma pena. Tínhamos tudo para conseguir, pois o rock do Casa das Máquinas era swingado, tinha um lado brasileiro forte, contávamos com dois bateristas, eu e meu irmão Marinho, algo inédito por aqui.
CONEXÃO VIVO- Você morou em um sítio afastado e depois integrou durante algum tempo o Joelho de Porco. Como é que foi isso tudo?
NETINHO- Depois do fim do Casa das Máquinas, comprei um sítio situado a três horas de São Paulo, sem luz, energia elétrica, nada, bem no meio do mato. Foram dois anos morando lá. Aí, o Billy Bond e o Tico Terpins, do Joelho de Porco, foram de limusine me procurar, pois eu tinha o melhor equipamento de som do Brasil, que montei nos tempos do Casa das Máquinas. A proposta deles era trazer o punk rock que estava ainda no início para o Brasil. Foi uma experiência muito louca, fiquei com eles por quase dois anos, saí quando eles iam gravar um disco pela Som Livre (nota da redação: o disco saiu em 1978, já com Juba, posteriormente da Blitz, em seu lugar), e resolvi partir para o meu projeto pessoal, cuidar da família.
CONEXÃO VIVO- Você atualmente toca com uma nova formação dos Incríveis, e está em vias de retomar o Casa das Máquinas. Quem integra a atual formação do Casa, e como será para conciliar os dois?
NETINHO- Estou preocupado com a qualidade musical do que o Casa das Máquinas pode vir a fazer, não com o time que irá tocar. A música é o que faz um grupo ficar famoso, não os músicos que o integram. Não sei quem estará no projeto. Já entramos em estúdio duas vezes e descartamos o material produzido nessas sessões de gravação. O Haroldo, da formação original, hoje está em Nova York, e temos 10 músicas prontas, feitas por mim, ele, o Piska (nota da redação: guitarrista da formação clássica, hoje concorrido músico de estúdio), o Sandro Haick (nota da redação: multi-instrumentista e filho do Netinho), o meu irmão Marinho..... Estamos produzindo este trabalho, atualmente. Continuo com os Incríveis, do qual o Sandro também faz parte, e acho que dará para conciliar as agendas dos dois grupos sem grandes problemas.
CONEXÃO VIVO- Uma coisa que fica clara durante a leitura do livro é a sua espiritualidade, e a fé como forma de superar os problemas. Que tipo de conselhos você dá às pessoas, levando em conta sua própria experiência de vida?
NETINHO- Sempre fui uma pessoa de muita fé, com muita crença na existência de um mundo espiritual, sou desapegado de coisas materiais, sempre me entreguei a Deus. Sabe, sou a pior pessoa para dar conselhos a alguém, pois tenho e sempre tive uma vida desregrada total, acordo na hora de jantar, não tenho hora certa para dormir, não tenho uma alimentação controlada...... Meu conselho é a fé certa, não a fé cega. Se você for uma pessoa positiva e buscar a solução dos seus próprios problemas, atrair as soluções, não esperar que os outros façam por você, ter compaixão pelos outros, fazer caridade, tem tudo para progredir.
CONEXÃO VIVO- Uma das coisas que me surpreenderam, durante a leitura do livro, é saber da quantidade de acidentes que você teve, de carro, em quedas etc. Conte um pouco sobre isso.
NETINHO- Minha vida foi muito louca. Lembro que aos cinco anos de idade fiquei pendurado em um muro, daqueles repletos de vidro, e rasguei meu braço inteiro. Eu aprontava muito. Uma vez, quando já era adolescente, quis aparecer para as garotas, aos 13 anos, e caí de cabeça em cima de uma pedra, voou sangue para todos os lados. Apareci, mesmo, mas da forma errada.....(risos) Minha mãe dizia que se havia alguém que tinha problemas todo dia, era eu. E bati com o carro inúmeras vezes.
CONEXÃO VIVO- Uma pessoa que te ajudou muito, nessa busca espiritual, foi a médium Mariinha Lozano Rodrigues (1922-2008), que infelizmente não está mais entre nós. Como foi sua relação com ela?
NETINHO- A Mariinha foi uma pessoa fantástica. Não negava ajuda a quem quer que fosse, do Silvio Santos, Rita Lee, Hebe Camargo, até porteiros, gente das ruas, mendigos. Muita gente me procura por causa da minha vitória contra o câncer que tive nas cordas vocais, nos anos 90, e eu sempre falo dela, para que façam uma prece para ela. Nunca conheci um ser humano igual, que vivia 24 horas por dia para o próximo.
Do Site: Conexão Vivo

Comentários