sábado, 1 de julho de 2017

Papa aos Ortodoxos: Pedro e Paulo sinal de unidade na diversidade


Papa Francisco e a Delegação do Patriarcato Ecuménico de Constantinopla

“Muito obrigado por terem vindo aqui, na festa dos Santos Pedro e André, Padroeiros principais clientes desta Igreja de Roma; sois bem-vindos. Agradeço de coração a Sua Santidade o Patriarca Ecuménico Bartolomeu e o Santo Sínodo, por terem enviado a vós, queridos irmãos, como seus representantes, para partilhar connosco a alegria desta festa”.
Com estas palavras Francisco recebeu em audiência, na manhã desta terça-feira (27/06), a delegação do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla. No seu discurso Francisco salientou as figuras de Pedro e Paulo, discípulos e apóstolos de Jesus Cristo que serviram ao Senhor, disse,  com estilos diferentes e de maneira diferente e no entanto, apesar de suas diferenças, ambos deram testemunho do amor misericordioso de Deus Pai do qual cada um deles, à sua maneira, teve profunda experiência, ao ponto de oferecer em sacrifício a própria vida, tornando-se assim sinal de unidade na diversidade.
Em seguida o Pontífice referiu-se ao intercâmbio de delegações entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla, por ocasião das respectivas festas patronais que, disse, aumenta em nós o desejo de restabelecer plenamente a comunhão entre católicos e ortodoxos, que já antecipamos no encontro fraterno, na oração partilhada e no serviço comum ao Evangelho. E o Pontífice referiu-se à experiência do I milénio do Cristianismo como ponto de referência e inspiração para o presente:
“A experiência do primeiro milénio, em que os cristãos do Oriente e do Ocidente participavam da mesma mesa eucarística, por um lado guardando juntos as mesmas verdades da fé e por outro cultivando várias tradições teológicas, espirituais e canónicas compatíveis com o ensinamento dos Apóstolos e dos Concílios ecuménicos, é ponto de referência necessário e fonte de inspiração na busca do restabelecimento da plena comunhão nas condições actuais, uma comunhão que não seja uniformidade homologada”.
Francisco teve também a oportunidade de recordar que este ano ocorre o quinquagésimo aniversário da visita do Beato Paulo VI no Fanar em julho de 1967, e da visita do Patriarca Atenágoras em Roma, em outubro do mesmo ano. O exemplo destes Pastores corajosos nos encoraja a continuar o nosso caminho rumo à plena unidade, pois as duas visitas foram eventos que despertaram imensa alegria e entusiasmo nos fiéis das Igrejas de Roma e Constantinopla e contribuíram para fazer amadurecer a decisão de enviar delegações para as respectivas festas patronais, sublinhou o o Papa, que também acrescentou:
“Estou profundamente agradecido ao Senhor, porque também a mim Ele continua a dar oportunidade de me encontrar com o meu amado irmão Bartolomeu. Em particular, conservo uma grata e benéfica recordação do nosso recente encontro no Cairo, onde pude constatar mais uma vez a profunda consonância de visão sobre alguns desafios que tocam a vida da Igreja e o mundo contemporâneo”.
Sobre a reunião do Comité de Coordenação da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa que terá lugar no próximo mês de Setembro em Leros, na Grécia, o Papa desejou que este encontro, aconteça em clima de escuta à vontade do Senhor e conscientes do caminho feito em conjunto por muitos fiéis católicos e ortodoxos em várias partes do mundo, para que seja rico de bons resultados para o futuro do diálogo teológico.
E a terminar:
“Queridos irmãos, a unidade de todos os seus discípulos foi o pedido insistente que Jesus Cristo apresentou ao Pai pouco antes da sua paixão e morte. O cumprimento desta oração está confiado a Deus, mas também passa pela nossa docilidade e obediência à sua vontade. Rezemos uns pelos outros para que o Senhor nos conceda de sermos instrumentos de comunhão e de paz, confiando na intercessão dos Santos Pedro e Paulo e de Santo André”
Também eu vos peço, por favor, que continueis a rezar por mim – concluiu Francisco. (BS)
radiovaticana

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