quarta-feira, 5 de julho de 2017

'É uma escalada da ameaça ao mundo': EUA confirmam teste de míssil intercontinental pela Coreia do Norte


Lançamento de míssil na Coreia do Norte
REUTERS
Image captionA emissora estatal do país divulgou fotos do teste de um ICBM
Os Estados Unidos anunciaram terem confirmado que a Coreia do Norte testou um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) nesta terça-feira.
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, classificou o ato como uma "nova escalada da ameaça aos Estados Unidos" e ao mundo e alertou que Washington "nunca aceitará uma Coreia do Norte armada nuclearmente".
Esta foi a primeira vez que a Coreia do Norte anunciou ter realizado esse eito com sucesso, voltando assim a causar preocupação na comunidade internacional.
Autoridades americanas acreditam que o míssil norte-coreano consegue atingir o Alasca, no entanto, especialistas afirmam que ele não seria capaz de atingir com precisão um alvo determinado.
Algumas horas após o teste sobre o Mar do Japão, os Estados Unidos pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto. A sessão a portas fechadas entre representantes dos 15 membros do conselho será nesta quarta-feira.
Em um comunicado, Tillerson reforçou que uma "ação global é necessária a fim de parar uma ameaça global" e alertou que qualquer nação que ofereça benefícios econômicos ou militares aos norte-coreanos ou não cumpra integralmente a resolução do conselho estará "ajudando e incitando um perigoso regime".

O que a Coreia do Norte disse?

O anúncio feito na TV pela emissora estatal disse que um teste do míssil balístico intercontinental Hwasong-14 foi feito sob a supervisão do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Foi informado que o projétil atingiu uma altitude de 2.802 km e percorreu 933 km em 39 minutos antes de cair no mar.
No anúncio, foi dito que a Coreia do Norte agora é uma "potência nuclear completa que possui o mais poderoso foguete intercontinental capaz de atingir qualquer parte do mundo". A agência de notícias oficial, a KCNA, divulgou que Kim Jong-un considerou o teste um "presente" para os americanos ao realizá-lo no dia da independência dos Estados Unidos.
O lançamento é o mais recente de uma série de testes e foi contra o veto a esse tipo de operação pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas especialistas avaliam que a Coreia do Norte não é capaz de miniaturizar uma bomba nuclear para encaixá-la em um míssil assim.

Quão longe o míssil pode ir?

Essa é a grande questão, diz Steven Evans, da BBC em Seoul (Coreia do Sul). Seria capaz de atingir os Estados Unidos?
O físico americano David Wright, integrante da ONG Union of Concerned Scientists, diz que, se os relatos estiverem corretos, o míssil poderia "ter um alcance máximo de 6.700 km em uma trajetória padrão". Isso o tornaria capaz de chegar ao Alasca, mas não às maiores ilhas do Havaí ou aos outros 48 Estados americanos, diz ele.
A Coreia do Norte não precisaria apenas de um míssil, acrescenta Evans. Também teria de proteger uma bomba nuclear de sua reentrada na atmosfera, e não está claro se é capaz disso.
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O que significa esse teste? Por Melissa Hanham, especialista em defesa

Novamente, a Coreia do Norte desafiou a sorte e deu uma banana para o mundo com um único lançamento de míssil. O teste mostrou que o país provavelmente é capaz de atingir distâncias intercontinentais com mísseis balísticos, o que coloca o Alasca em risco.
Kim Jong-un havia expressado há tempos seu desejo de fazer um teste assim, e tê-lo realizado em 4 de julho é apenas a cereja de seu imenso bolo.
Apesar desse êxito técnico, é provável que muitos fora da Coreia do Norte se mantenham céticos, pedindo por provas de que o país é capaz de guiar seu míssil e controlar sua reentrada ou de que tem uma bomba nuclear.
No entanto, do ponto de vista técnico, seus foguetes são capazes de cumprir distâncias de um ICBM, e essa pode ser apenas a primeira das diversas formam com que a Coreia do Norte pode obter um ICBM de autonomia ainda maior.
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Os vizinhos e potências nucleares estão preocupados?

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, cobrou do Conselho de Segurança medidas contra o país vizinho.
Um forte alerta veio do diretor de operações dos Líderes das Forças Armadas do país. Cho Han-Gya disse que "o regime de Kim Jong-un será destruído" se "ignorar os alertas militares e prosseguir com as provocações".
O Japão afirmou que "repetidas provocações como essa são totalmente inaceitáveis", e o primeiro-ministro Shinzo Abe disse que o país "se uniria fortemente" aos Estados Unidos e a Coreia do Sul para pressionar a Coreia do Norte.
O presidente americano, Donald Trump, aparentemente se referiu ao líder norte-coreano em sua conta no Twitter ao dizer: "Esse cara não tem nada melhor para fazer da vida?".
"Difícil crer que a Coreia do Sul e o Japão vão aguentar isso por muito mais tempo. Talvez a China aja com força sobre a Coreia do Norte e dê fim a esse absurdo de uma vez por todas."
Kim Jong Un supervisiona teste do míssil Hwasong-14Direito de imagemKCNA/REUTERS
Image captionRealizar um teste de um míssil balístico intercontinental era um desejo antigo do líder norte-coreano
Trump já fez diversos apelos para que a China, principal aliado econômico dos norte-coreanos, pressione o país a encerrar seus programas de mísseis e nuclear.
Sobre as chances da Coreia do Norte ser capaz de atacar os Estados Unidos, ele publicou em janeiro: "Não vai acontecer". No entanto, especialistas dizem que isso será possível dentro de cinco anos ou menos.
Enquanto isso, o secretário de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, disse que a comunidade internacional "precisa redobrar seus esforços para impor um preço a esse regime que faz de tudo para construir armas nucleares e lançar mísseis ilegalmente enquanto o povo da Coreia do Norte sofre com a fome e a pobreza".
BBC Brasil

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