segunda-feira, 25 de abril de 2016

"Desarmoniosa..." por Eduardo Lara Resende


Desarmoniosa, farronqueira e engajada

(Pinterest, do álbum de Jaqueline Vitto Gomes)

O Brasil, onde riqueza e privilégios, conforto e oportunidades são indivisíveis, assiste ao esforço em favor da divisão que enfraquece. Na falta de argumentos válidos ao contraponto dos discursos, a ordem é desconstruir.

Tivesse a transmissão das sessões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados a audiência das telenovelas, e certamente a opinião pública se beneficiaria na avaliação dos caminhos pelos quais trafega a política.

Desinformado, o eleitor é levado a erro também pela desconstrução travestida de memes nas redes sociais. É ali, graças à ingenuidade de boa parte dos internautas que alegremente compartilham muita bobagem, que essa gente é posta a trabalhar contra seus próprios interesses e convicções.

Aliás, o sociólogo e cientista político Leonidas Donskis definiu a linguagem encontrada na internet como “'sádica e canibalesca”, correndo solta “nas orgias verbais do ódio sem face, nas cloacas virtuais em que se defeca sobre os outros e nas demonstrações incomparáveis de insensibilidade humana, em especial nos comentários anônimos”.

Exemplos dessa sanha desconstrutivista são as reações à matéria que mídia de grande circulação publicou sobre a esposa do vice-presidente da República, Michel Temer, definindo-a como “bela, recatada e do lar”.

Sinônimo de resguardo, precaução, cautela, pudor, honestidade, pureza, modéstia e simplicidade, o recato, convenhamos, é ou deveria ser a preferência na formação do comportamento humano em geral, sobretudo o da mulher. Mais adequado o recato que a quixotada, a intriga, a inconveniência, a farronca ou o cacarejo.

Quanto a ser bela e do lar, é tão válido quanto ser feia e profissional ou politicamente engajada. O que não vale é, a despeito de um divisionismo de ocasião, tentar desconstruir valores e transformar em mais um tipo de preconceito o que vai fazendo do Brasil, na palavra de um escritor mineiro, “um país grande e bobo”.

São tantas as linhas que dividem os brasileiros em nós e eles, que não será exagero imaginar o dia em que os concursos de beleza serão considerados fonte de preconceito.

Haja!

Um comentário:

Célia Rangel disse...


Haja, mesmo, Eduardo, pois mais uma vez, a figura feminina na lista preconceituosa do que somos e/ou fazemos... Se vivemos com deveres e direitos, independente de gênero, jamais deveria haver lugar para preconceitos 'jocosos'... Li, uma outra crônica que relatava: "felizmente a "mulher dos anos 50" estavam em extinção"! Desconstruir, agredir, passa a ser modismo de indivíduos que captam o direito de manchar valores familiares e civis. Qualidades e diferenças todos temos. Respeitar as individualidades é questão fundamental de uma convivência, no mínimo educada.
Abraço.

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