domingo, 7 de fevereiro de 2016

Um presente, esse Cordel!


Muito obrigada, poeta!!
Ficou belíssimo seu trabalho!!
Saúde, paz e felicidades desejo a você!
Imagem: Pesquisei no Google.


MATUTO 'ISPRITADO'




Nem o canto do azulão
Alegra a minha sina
A luz dos olhos de Catarina
Era a luz do meu sertão
Eu agora capiongo sem cajuína
Arriado nos ventríco do coração
Mudo feito poste de esquina
Sem prumo e sem direção.

Onde andará Catarina?
Que levou o meu coração
Minha estrela matutina
Bateu asa do sertão
Ela embiocou sem paradeiro
Será que foi pra Juazeiro?
Deixando esse matuto brejeiro,
Arriado de quatro no chão.

Pebado fiquei logo empriquitado,
Numa cisma de se danar,
Será que ela fugiu com Aderardo?
O filho bunito do seu Osmar.
Eu num aceito ser engabelado,
Mando tudo no inferno se lascar
O improvave já tá provado...
Nem precisa me contá!

Vige, mas eu viro um touro zuadento,
Vexado feito visage de aparição,
Faço três reza pro meu São Bento,
Me benzo pra mode proteção,
Depois dô tapa até no vento,
Fervendo feito larva de vulcão,
Lhe juro pelo coice de um jumento,
Se hoje Catarina num volta pro sertão.

Já de noite por volta das nove hora
O busão na rodoviária encostou
Desce ela e o véio Juca de Lóra
Que sem demora tudo me contô,
Meu bem lhe juro por nossa Sinhora,
Só num chegava proquê o carro quebrô.
Eu já num via a hora de vim embora,
Fui só na cidade na loja de seu Nonô.

Manso feito um pardal de igreja,
Matuto leso feito um bocoió,
Por dentro amargo que nem carqueja
Por fora suave feito canto de curió
Em casa servi suco na bandeja
E na tijelinha servi caldinho de mocotó.
Catarina pra sacolejar minha peleja,
Disse que amanhã vai lá em Caicó. Aff...

Ademar Siqueira
http://www.recantodasletras.com.br/cordel/5533835

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