PMs são presos após divulgação de imagens que mostram alteração em cena de homicídio



Um grupo de cinco policiais militares da UPP da Providência, no Centro do Rio, foi preso após a divulgação de vídeos que mostram o momento que eles forjam uma situação de confronto na comunidade após a morte de um jovem de 17 anos, identificado como Eduardo Felipe Santos Victor. Dois dos militares estão sendo acusados de fraude processual, e os outros três estão detidos administrativamente. Os policiais foram levado para a 4ª DP (Praça da República). A investigação, no entanto, ficará a cargo da Divisão de Homicídios, que faz neste momento uma perícia no local do crime.


PMs observam corpo de adolescente morto na Providência nesta terça-feira.
PMs observam corpo de adolescente morto na Providência nesta terça-feira. Foto: Reprodução / WhatsApp



Eduardo Felipe, de 17 anos.
Eduardo Felipe, de 17 anos.

Nos dois vídeos, recebidos por meio do WhatsApp do EXTRA (21 99644-1263 e 21 998099952), é possível ver o momento em que um grupo de três policiais observa o corpo o jovem no chão. Um quarto aparece na lateral da imagem e faz um disparo para o alto. Um dos policiais, o único que mexe no corpo, aparece lidando com duas armas. Na sequência, o policial agacha, pega a arma e posiciona na mão do jovem morto. Com ela, dispara dois tiros e, em seguida, larga a mão do menino de volta no corpo caído no chão.
Este mesmo policial levanta e passa a arma disparada para outro segundo policial, que manuseia a arma até guardá-la no coldre. O primeiro policial pega seu fuzil e volta a vesti-lo. De guarda e mais à frente, fazendo vigília, um terceiro policial levanta e observa se há movimento. Os três policiais parecem conversar, olham para trás, fazem guarda, e voltam a encarar a vista à frente.
O policial que faz a vigília parece se erguer para ver se há novo movimento acerca do local. Os outros dois ficam à espera. Mais atrás, um quarto policial aguarda. Os três retomam conversas, enquanto olham para o corpo do jovem morto.
A testemunha, que fez as imagens do momento que os policiais alteravam a cena do crime, diz que foi acordada com o barulho nos tiros:
"Ele fez 'aiaiai'. Eu vi, levantei no primeiro tiro. Ele (o policial) botou queima roupa. Olha lá, o garoto no chão cheio de sangue. Ele (Eduardo) levantou a mão e o cara (o policial) deu de queima roupa. Olha lá, mexendo no garoto. Novinho, gente", diz no áudio do vídeo.
O caso foi registrado da 4ª DP (Praça da República) como auto de resistência na manhã desta terça-feira. Porém, por volta de15h30m, os agentes da Polícia Civil receberam o vídeo e retornaram à comunidade para encontrar o policial responsável pelo registro. Além da fraude processual, a Polícia Civil também investiga o homicídio. Esta parte da investigação ficará a cargo da Divisão de Homicídios. Dois fuzis de policiais da guarnição foram apreendios e passarão por perícia.
Os fuzis dos policias envolvidos na ocorrência foram apreendidos.
De acordo com a Polícia Civil, o menor, um adolescente de 17 anos, tem duas passagens, uma por tráfico de drogas e uma por injúria. A Polícia Militar afirma que o adolescente foi encontrado com um rádio transmissor, uma pistola 9mm e munição.





De acordo com a Polícia Civil, o menor, um adolescente de 17 anos, tem duas passagens, uma por tráfico de drogas e uma por injúria. A Polícia Militar afirma que o adolescente foi encontrado com um rádio transmissor, uma pistola 9mm e munição.






Os pais do menor morto foram ao IML reconhecer o corpo.


Os pais e um tio do menor chegaram no Instituto Médico-Legal (IML) por volta das 17h. O tio informou que a família teve acesso às imagens. Segundo o pai, Eduardo Victor, o jovem, nascido e criado na comunidade, era estudante e teria sido confundido pela polícia. A vítima morava com a mãe e os pais eram separados. A família não quis falar com a imprensa.
- Eu só quero enterrar meu filho - limitou-se o pai.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou em nota que repudia atos como esse. Beltrame determinou rigor nas investigações com punição exemplar dos responsáveis.
O corpo de Eduardo Felipe será enterrado nesta quarta-feira, às 13h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

http://extra.globo.com/casos-de-policia/pms-sao-presos-apos-divulgacao-de-imagens-que-mostram-alteracao-em-cena-de-homicidio-17642140.html




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