quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Hospitais cancelam cirurgias por falta de medicamento e material em MG

Fornecedores reclamam que estão sem receber há meses.
No Hospital São Geraldo falta até linha cirúrgica para operar.


Os problemas de saúde pública registrados em vários estados, prejudicam também a população de Minas Gerais. Pelo menos três hospitais públicos de Belo Horizonte suspenderam as cirurgias por falta de material e de medicamento. Fornecedores estão há vários meses sem receber.
O Hospital Risoleta Neves tem uma dívida de quase R$ 30 milhões, parte com fornecedores que pararam de entregar remédios e materiais para cirurgia. “Começa a faltar medicamentos e materiais básicos, materiais necessários para cirurgias ortopédicas, neurológicas e cardíacas. A nossa opção é restringir o atendimento a esse perfil de pacientes”, diz Ricardo Castanheira, diretor-geral.
Desde outubro, 42 dos 365 leitos estão fechados. A empresa que arquiva os documentos dos pacientes suspendeu o serviço e com isso, o jardineiro João Carlos Torres, que está sem trabalhar por causa de uma cirurgia, não consegue dar entrada no INSS para pedir o auxílio-doença. “Eu preciso do laudo médico. Só fala que não tem previsão de entrega, que é para esperar que eles vão ligar. Eu já vim aqui umas quatro vezes”, desabafa.
Médicos do Hospital São Geraldo, que não quiseram gravar entrevista, disseram que falta até linha cirúrgica para operar. A agricultora Hilda Ferreira dos Santos saiu da cidade de Rio Vermelho, que fica a 400 quilômetros de Belo Horizonte, três vezes para tentar marcar uma consulta para o pai dela. “Eles dizem que não estão marcando”, reclama.
Em Minas Gerais há também espera dos pacientes que precisam de um órgão porque os transplantes de fígado, rim e pâncreas estão suspensos no Hospital das Clínicas desde o ano passado. Primeiro, faltou médico. Agora, o problema maior é a falta de remédios para situações de emergência.
A administradora de empresas Maitê Cruz era a terceira na fila de espera quando os transplantes foram suspensos. Agora, ela gasta R$ 1 mil por mês com tratamento particular, mas sabe que só um fígado novo pode salvá-la. “A gente corre risco de vida. Além da tristeza, a gente fica com medo. Eu tenho um filho para criar, uma família”, diz.
A Secretaria de Saúde de Belo Horizonte diz que ainda não recebeu os recursos do Fundo Nacional de Saúde referentes ao mês de dezembro e que, independentemente da dificuldade do Ministério da Saúde para efetivar os repasses, tem trabalhado para garantir dinheiro aos hospitais.
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