quarta-feira, 24 de setembro de 2014

USP é 'terra de ninguém', diz primo de jovem achado morto no campus


PM encontra na USP corpo de jovem desaparecido

O velório e o enterro do estudante Victor Hugo Santos, 20, foram marcados por comoção e indignação dos familiares que acreditam que o jovem foi assassinado. O rapaz foi encontrado morto na raia olímpica da USP na manhã desta terça-feira (23).
Victor Hugo estava desaparecido desde a madrugada do último sábado (20) quando participou de uma festa na Cidade Universitária.

Visivelmente emocionado, o primo Vinicius Costa, 33, criticou a falta de segurança na USP. "Convivi também na USP. Frequento as festas lá desde moleque e a gente sabe que lá tem assaltos, estupros e sequestros. Lá é uma terra de ninguém", afirmou.
Costa acredita que Santos foi vítima de um crime. "Uma certeza que eu tenho é que jogaram meu primo lá [dentro da raia olímpica]. Agora quem foi e por quê é difícil falar", disse Costa.

O jovem foi enterrado no cemitério Alphacampus, em Jandira (Grande São Paulo), na manhã desta quarta. Dezenas de pessoas acompanharam a cerimônia que durou cerca de 30 minutos.

A polícia instaurou um inquérito para apurar o caso. Testemunhas e os seguranças que trabalharam no evento devem ser ouvidos nos próximos dias.

ERA COMO UM IRMÃO

André Costa Parreira, 27, tinha Victor Hugo como um irmão. Os dois convivem desde pequeno juntos e o primo mais velho era visto como um conselheiro.
Aos prantos, Parreira contou que o estudante chegou a morar na sua casa por um tempo logo que nasceu. "A casa do meu tio estava em reforma e eles moraram lá por um tempo. Victor era um irmão pra mim", disse.
Parreira também disse que a principal suspeita da família é de que o estudante foi assassinado.

"Acho praticamente impossível que o Victor tenha entrado lá e se afogado sozinho, até porque lá tem segurança e só tem uma entrada e uma saída. Alguém deve ter feito isso com ele. Espero que a investigação chegue a uma conclusão pra deixar a gente mais em paz. As pessoas que fizeram isso merecem ser punidas", afirmou.

O corpo do estudante tinha um leve hematoma no olho e escoriações nos lábios, segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
A polícia, porém, trata o caso com cautela. Afirma que nenhuma hipótese para a morte está descartada e que ainda não tem uma linha mais forte de investigação -homicídio, suicídio ou morte acidental, por exemplo.

LAUDO DO IML

Segundo a perita criminal Renata Gaeta, do DHPP, agora é preciso esperar os laudos do IML que dirão o horário aproximado e a causa da morte. A polícia não sabe se Victor Hugo morreu afogado ou se teve o corpo jogado na raia após ser morto.

Mais cedo, um perito que estive no campus disse à Folha que o corpo não tinha sinais aparentes de afogamento.
"O IML dirá o tempo [hora] da morte, o que é importante para dar um rumo mais definido [à investigação]", disse a delegada Elisabete Sato, diretora do DHPP. Os laudos do IML podem demorar 30 dias.

Outro exame que será feito é o DNA, em manchas de sangue encontradas pelos peritos na arquibancada do velódromo -numa área que, segundo a polícia, era restrita e não fazia parte da festa. As amostras coletadas serão comparadas com o material genético dos pais de Victor Hugo.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/09/1521710-familia-diz-em-enterro-que-morte-de-estudante-na-usp-nao-foi-acidental.shtml

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