domingo, 14 de setembro de 2014

SOMOS CIDADÃOS DO BRASIL... (Conto)





Ah... somos cidadãos da grande metrópole de SP que junta, apertadamente, 11 milhões de pessoas...a maioria nem nascida aqui, mas de todo esse grande e complexo Brasil e que presos ao sonho de um ganho maior aqui se instalam precariamente com sua extrema pobreza.Eis aqui uma história real por mim vivida há dias atrás. Vejam só !!!
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Então, ela me olha...com seus grandes olhos de baiana...toda apertada em seu vestido curto e justo... e com seus seios salta montes. Seu olhar está bem triste, mesmo sendo o seu sorriso muito cativante... e seus dentes mais bonitos ainda....essas pérolas que poucos podem se dar ao luxo de ter.E então me diz: sabe que eu tenho de viver no meu barraco de portas fechadas ? Pergunto por quê ? E ela me diz: Ah...tenho medo de ser estuprada e que me roubem o pouco que tenho...Meus vizinhos são gente perigosa..Todos são bandidos e vendem drogas...e muitos estão viciados e eu tenho pavor deles...Às vezes batem em minha porta e eu de medo não abro não...só abro se for gente que conheço. Estou pensando em voltar para a Bahia...porque aqui não é como eu pensei que fosse...Ela esfrega as mãos nervosamente...e me conta sobre sua família...Depois...lágrimas correm por seu rosto...São lágrimas de tristeza e de saudades de sua família...pois há quatro anos que não vê nenhum deles...Fico consternado...mas logo ela me pergunta: diz pra mim...o que eu devo fazer ? E eu olho suas lágrimas que não param de correr em seu rosto bonito e redondinho...e lhe digo: melhor é voltar para tua familia do que viver enfiada num quarto o tempo todo com medo de todos que te cercam...Pelo menos com tua familia você estará melhor e sem medos..Ela então enxuga suas lágrimas com as costas da mão...e olhando-me bem nos olhos apenas diz : você tem razão...isso aqui não é vida...é a morte de mim mesma. Sim...eu vou voltar...não aguento mais viver no meu barraco. E de repente ela me abraça forte , dá-me um beijo rápido e sai correndo ao longo da calçada.Fico olhando e quando quase estava desaparecendo...ela vira-se e me acena um adeus que até agora me comove...apesar de eu nunca mais tê-la visto. Deve ter voltado para a sua família...quem sabe ?






Cássio Seagull (cadastrado no Recanto das Letras) onde mantém sua Escrivaninha, repleta de poemas/textos belíssimos!

em 14-09-14 SP
Conto verídico
da cidade de SP

Agradeço ao poeta, pelo compartilhar!





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