Líder nigeriano promete vender as mais de 200 estudantes sequestradas

 Em um vídeo divulgado na internet, um dos líderes do grupo islâmico faz ameaças contra a cultura ocidental Reprodução/YouTube

Em Lagos, mulheres protestam contra o sequestro de jovens estudantes feito por grupo radical da Nigéria


O líder do grupo islamita nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, prometeu vender as mais de 200 meninas sequestradas no norte da Nigéria há três semanas, em um vídeo obtido nesta segunda-feira pela AFP.
"Eu sequestrei vossas meninas. Por Alá que as venderei no mercado", disse Shekau.
Ele fazia referência às 276 estudantes sequestradas em 14 de abril em sua escola de Chibok (nordeste), no estado de Borno, entre as quais 223 continuam em cativeiro e 53 conseguiram fugir, segundo a polícia.
Informações da imprensa afirmam que algumas das 223 estudantes sequestradas já foram vendidas como esposas na fronteira com Chade e Camarões a preços irrisórios (US$ 12).
"Eu disse que a educação ocidental deve parar. Vocês, meninas, devem deixar a escola e se casar" acrescentou Shekau, que indicou manter as "pessoas como escravas".
No vídeo, Shekau aparece em uniforme militar e de pé diante de um veículo blindado e de duas pick-ups nas quais estão metralhadoras.
Seis homens armados estão em ambos os lados de Shekau, com seus rostos cobertos.
A imagem está tremida, mas é possível ver claramente o rosto do líder islâmico, falando em hausa, árabe e inglês.
Durante os primeiros 14 minutos, Shekau critica a democracia, a educação ocidental e aqueles que não acreditam no Islã.
O Boko Haram, cujo nome significa "A educação ocidental é pecaminosa" em hausa, reivindica a criação de um Estado islâmico no norte da Nigéria.
O grupo extremista deixou milhares de mortos desde o início do levante, em 2009, em ataques contra escolas, igrejas, mesquitas e símbolos do Estado e das forças de ordem.
Mas este sequestro em massa de meninas é o ataque mais chocante desde o surgimento deste movimento.
Sequestro
Homens armados suspeitos de serem do movimento islâmico radical Boko Haram invadiram em 14 de abril uma escola secundária de meninas na aldeia de Chibok, no Estado de Borno, colocaram as adolescentes em caminhões e desapareceram em direção a uma área remota na fronteira com o Camarões.
O sequestro ocorreu no mesmo dia em que a explosão de uma bomba, também atribuída ao Boko Haram, matou 75 pessoas na periferia da capital, Abuja, no primeiro ataque contra a capital em dois anos.
Mas a brutalidade da ação na escola chocou os nigerianos, já acostumados há muito tempo a ouvir falar de atrocidades relacionadas a insurgência islamista que dura cinco anos e está cada vez mais sangrenta. O Boko Haram é agora visto como a principal ameaça de segurança à Nigéria, principal produtor energia da África.
Nigéria protesto violência crianças (Foto: AFP)
Manifestantes se reúnem para protestar contra a violência contra jovens meninas

A reportagem abaixo é do mês de abril

Pelo menos 200 meninas foram sequestradas de um internato por um grupo armado na localidade de Chibok, no noroeste da Nigéria, horas depois de na capital, Abuja, terem morrido 71 pessoas num atentado bombista.


Segundo fontes policiais citadas pela agência de notícias espanhola, EFE, o sequestro ocorreu na noite passada, e as primeiras suspeitas recaem sobre o grupo radical islâmico Boko Haram, autor de numerosos ataques no Estado de Borno, ao qual Chibok pertence.
"Podemos confirmar o sequestro de, pelo menos, 200 alunas. Fomos alertados pelos pais das menores e, embora não saibamos quem o fez, suspeitamos do Boko Haram, porque já o fez antes", disse um porta-voz da polícia.
Em fevereiro passado, este grupo atacou outra escola de ensino secundário na localidade de Buni Yadi, no nordeste do país, e matou quase meia centena de estudantes.
O Boko Haram, que significa em língua local "a 

educação não islâmica é pecado", está a lutar para impor a 'sharia' ou lei islâmica na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul.

De acordo com testemunhas citadas pelo diário local The Punch, cerca de 50 homens armados irromperam na segunda-feira à noite, pelas 22:00 locais (e de Lisboa), em Chibok com uma coluna de veículos e atearam fogo a edifícios públicos e habitações.
Em seguida, dirigiram-se à escola local de ensino secundário, onde capturaram todas as estudantes que conseguiram e as levaram num camião.
Este sequestro em massa de menores de idade ocorreu horas depois do atentado bombista que na segunda-feira de manhã matou pelo menos 71 pessoas numa das principais estações de autocarros de Abuja.
As explosões, que também feriram 124 pessoas e provocaram o pânico entre os numerosos viajantes que enchiam o local, a caminho do trabalho, foram atribuídas ao Boko Haram pelo Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, apesar de os integristas não terem ainda reivindicado o ato terrorista.
Muitos cidadãos acorreram hoje a diversos hospitais da cidade para dar sangue aos feridos, a pedido do Governo, que fez um apelo público para que ajudassem as vítimas.
A escalada de violência que se vive no país desencadeou hoje de manhã o caos na Assembleia Nacional, situada em Abuja, que foi evacuada devido a uma ameaça de bomba que não se confirmou.

Apesar de a Nigéria manter uma ofensiva antiterrorista nos Estados de Yobe, Borno e Adamawa, no nordeste do país -- todos eles sob estado de emergência -, os ataques integristas não cessam naquele país africano.

Desde que a polícia eliminou, em 2009, o líder do Boko Haram, Mohamed Yusuf, os radicais levam a cabo uma sangrenta campanha que já fez mais de 3.000 mortos.
O mesmo grupo causou no passado domingo pelo menos 98 mortos em ataques a três localidades do Estado de Borno.
Com cerca de 170 milhões de habitantes integrados em mais de 200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais populoso de África, sofre de múltiplas tensões, pelas suas profundas diferenças políticas, socioeconómicas, religiosas e territoriais.
Diário Digital com Lusa

Comentários

  1. Amiga Aparecida, de tempos em tempos a barbárie recrudesce.
    Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma boa noite.

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