Jornalista que tirou as mamas por câncer fala sobre diagnóstico precoce: “ Só pensava: vou morrer”



Elaine Bast relembra diagnóstico de tumor na mama e cirurgia 


Elaine Bast retirou as duas mamasBruno Santos/Folhapress
Logo depois de fazer uma reportagem sobre câncer, a jornalista Elaine Bast descobriu tumores na mama esquerda. O diagnóstico precoce possibilitou o aumento na chance de cura e tratamento menos intenso. Em novembro do ano passado, ela retirou toda a mama atingida pela doença, mas também a direita de forma preventiva. Durante participação no Fórum O Futuro do Combate ao Câncer, promovido pela Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (30), ela falou sobre a importância de descobrir a doença ainda no início.
— Fiz a cirurgia apenas. Não precisei fazer radioterapia, quimioterapia porque tive um diagnóstico precoce. Então, nunca precisei fazer tratamento. Meu diagnóstico veio porque meu médico havia pedido um check-up completo, inclusive a Sociedade Brasileira de Mastologia sugere a mamografia a partir dos 40 anos. Eu nunca tive casos de câncer na família, já tinha tido dois filhos, amamentei e nunca tomei hormônio. Ou seja, não tinha algo que pudesse ser fator de risco.
A jornalista, que foi correspondente internacional da Globo por cinco anos nos Estados Unidos, relembra a sensação ao descobrir que que estava com câncer.
— Lembra quando o Brasil perdeu por 7 a 1 para a Alemanha? Foi a mesma sensação de quando te falam que você tem câncer. Que aquilo nunca poderia acontecer com você? Já tinha feito matérias sobre o assunto, inclusive quando eu descobri o câncer, eu tinha acabado de fazer uma reportagem sobre o tema. Mas quando você se vê na situação, você esquece tudo.
Ela ainda relembra que abriu o exame em casa e pesquisou na internet o que significava aquele resultado. Ao perceber que estava com câncer ficou “muito assustada”.
— Só pensava: “vou morrer, vou morrer”. No consultório, quando meu médico foi me dar o diagnóstico, eu só via a boca dele se movimentando, mas não conseguia prestar atenção em nada. Pensava que iria morrer. Na verdade, não tinha medo de morrer, mas em deixar meus dois filhos. 
Porém, o fato de seu médico ter explicado o que era a doença e tudo que aconteceria no tratamento, trouxe segurança a jornalista. E, foi essencial na luta contra o câncer. Na mesma operação de retirada dos seios, ela resolveu colocar prótese de silicone. 
— Há o estigma que o câncer vai matar exatamente porque a gente não conhece. Eu tive a sorte do meu médico passar mais de uma hora comigo no consultório me explicando tudo. Quando a gente recebe o diagnóstico, a gente fica muito enfraquecido. Por isso, o médico precisa ter olhar mais humanizado, pois, o paciente se sente mais forte quando tem o respaldo.
Apesar de ter passado por muitos obstáculos e até ter “ficado o dia inteiro trancada no quarto” após descobrir a doença, ela diz que o câncer fez mudar a sua postura diante da vida.
— Aprendia a ser menos ansiosa e comecei a fazer meditação. Aliás, antes tivesse resolvido fazer isso antes [risos].
R7

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