sábado, 25 de abril de 2015

O que dizer das águas de abril





Abril das águas mil


Isso mesmo onde se escreveu na água em abril
a liberdade tecida nas malhas do pensamento
de um povo oprimido sem pão em todas as idades
que testemunhavam as casas sem luz primaveril
além da obscuridade negra e branca do sofrimento
estampada na paisagem sombria e feia das cidades. 

Veio abril...
então soaram os cravos enfeitando os canhões
e as armas dos homens que gritavam covardia
calaram as balas a libertação do tempo naquele dia
quando se viu um povo solto em jubilosa alegria. 

E veio a esperança depois...

de ser feito o caminho de água revolta ademais
semeou-se o sonho e o desejo sempre novo
para um país de todas as horas onde se plantasse
a felicidade como flores nos canteiros dos beirais. 

E no entanto o povo...

passado o tempo desse abril de bravos
nem tudo são rosas nem muito menos cravos
são também ainda a dureza da fome
parida pela desigualdade escandalosa
que os verdugos do tempo lhe dão o nome
e acarinham como se fosse dádiva saborosa.

Diante de vil necessidade...

precisamos de gente grande na palavra
que se anuncia justiça fermento honestidade
da massa que no silêncio humilde
constrói vida nova pela coragem da verdade
da paz enorme que o sorriso da criança
contagia pelas artérias da liberdade. 

E renovo o propósito...

hoje chove a angústia e sopra o vento do sofrer
não preocupam as palavras cínicas
bem vestidas nos corredores do poder
são sinal dos tempos e doença
- ai como dói o troar pensado da indiferença.
José Luís Rodrigues

Obrigada pela bela partilha, Pe. José Luís!!

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